segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Che Guevara


Nessa semana fazem 40 anos da morte do Che, por isso resolvi escrever algumas coisas que penso sobre essa figura tão idolatrada por uns e tão odiada por outros.

De fato Che Guevara matou muitas pessoas, ele era um guerrilheiro, vivia em época de guerras onde os revolucionários estavam sendo presos, torturados e dizimados por ditaduras militares bancadas pelo EUA. Pessoalmente eu sou contra qualquer tipo de violência, portanto não concordo com algumas coisas que o próprio Che fez, porém quando se conhece a situação que a América Latina vivia em meados do século XX, fica claro que qualquer tentativa de se fazer uma revolução pacífica seria uma explicita tentativa de suicídio, Che Guevara entendia isso.

Por volta do ano de 1950 em vários pontos da América latina estavam surgindo movimentos revolucionários, principalmente devido a condição de extrema pobreza em que grande parte da população vivia, pobreza essa causada em grande parte pela submissão de alguns governos a políticas imperialistas vindas de terras ao norte, que favoreciam ao grande latifúndio e as grandes empresas em detrimento da população. Nesse contexto, a alta burguesia juntamente com os militares desses países, contando com o apoio financeiro-militar-ideológico dos EUA, promoveram ditaduras em quase todos os países da América latina, para conter o avanço de qualquer ideologia contrária ao neoliberalismo burguês. Não preciso descrever aqui os horrores que uma ditadura militar causa a sua população, quem tem o mínimo de conhecimento já sabe.

A própria decisão do Che em se tornar guerrilheiro veio nesse contexto vivido pela América latina. Apesar da população estar vivendo num mar de pobreza e estar a favor de mudanças revolucionárias, quem mostrasse que era a favor de um socialismo, era preso, torturado e até mesmo morto. Isso ficou claro para ele quando passou alguns meses na Guatemala. Naquela época, depois de longos anos de governos totalitários, esse país estava vivendo pela primeira vez em sua história um governo democrático com um presidente eleito e várias medidas de caráter social estavam sendo tomadas, como por exemplo, um grande processo de reforma agrária, o que desagradou muito os grandes latifundiários e os EUA. Nessa época o Che foi para Guatemala com o objetivo de se tornar médico do estado para ajudar as comunidades agrárias e indígenas que sofriam muito por falta de medicamentos e médicos, foi nessa época também que começou a se engajar mais politicamente. Com a iminência de um golpe militar que sufocaria toda a revolução com um tremendo banho de sangue, Guevara viu que não haveria outra maneira senão a defesa da revolução através da luta armada e aquela época ficou marcada como a forja de um revolucionário.

A partir daí muitas coisas se sucederam, Che Guevara conheceu Fidel e participou ativamente da revolução cubana, tanto na derrubada do ditador Fulgêncio Batista como nos primeiros anos da revolução. Mas o que ficou marcado realmente na memória das pessoas era o total desapego do Che as coisas materiais e a capacidade de que ele tinha de viver em função daquilo que ele acreditava. Nessa época em Cuba, Guevara chegou a ser o segundo homem mais poderoso do país, apenas abaixo de Fidel, mas ele abriu mão disso pra voltar ao campo de batalha para lutar pela internacionalização da revolução. Em Cuba ele tinha poder nas suas mãos e uma vida aparentemente tranqüila, mas ele renegou tudo isso para viver como guerrilheiro na África e também em outros países da América, para lutar pelo povo. Che foi uma pessoa que literalmente entregou a sua vida pela causa que acreditava, Che foi uma das poucas pessoas que não foi corrompida pelo poder, e foi principalmente isso que o tornou uma figura tão idolatrada.

Enfim, existem muito mais coisas a se dizer sobre Guevara, muitas passagens interessantes sobre sua personalidade entre outras coisas, mas para não alongar mais o texto, vou ficando por aqui com uma ultima observação. A situação em que vivemos hoje é bem diferente da que o Che vivia, portanto creio que uma solução armada para nossos problemas está fora de cogitação, claro que essa conclusão pessoal também leva um pouco da minha ideologia pacifista de não-violência inspirada em Gandhi, mas quase a totalidade dos socialistas de hoje não é mais a favor desses métodos de guerrilhas, com apenas algumas poucas exceções. Apesar disso, penso que Che Guevara é uma figura que tem que ser lembrada, não como um exemplo de guerrilheiro, mas como um exemplo de um ser humano que mostrou total desapego a bens materiais, total desapego ao poder e colocou acima de tudo, inclusive acima da sua própria vida, o que ele acreditava, uma sociedade menos injusta e com mais igualdade.

Um comentário:

Elisa disse...

Hay que endurecer pero sin perder la ternura jamás