sábado, 19 de abril de 2008

A culpa é do Fidel / La kulpo estas de Fidel


Não, esse não é um texto sobre Fidel Castro, na verdade eu apenas queria fazer aqui uma propaganda de um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos, é um filme francês que se chama “La faute à Fidel / A culpa é do Fidel ”. Apesar do nome, a história não tem nada a ver com Fidel e nem com Cuba, o filme conta a história de uma garotinha francesa de uns 9 anos de idade que tem pais comunistas, avós burgueses conservadores e estuda em uma escola católica, isso tudo em meio a uma época (1970) em que o mundo vivia conturbações políticas como a chegada de Allende ao poder no Chile e a ditadura do general Franco na Espanha. O legal do filme é que ele mostra todas essas coisas de um ponto de vista de uma garotinha de 9 anos, além de mostrar como que isso afeta o seu crescimento. Realmente vale a pena assistir, ainda mais para aqueles que querem fugir um pouco dos filmes Hollywoodianos de sempre.


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Ne, ĉi tio teksto ne temas pri Fidel Castro, fakte mi nur volis fari reklamon pri unu el la plej bonaj filmoj kiujn mi vidis lastatempe, ĝi estas franca filmo kiu nomiĝas “La faute à Fidel / La kulpo estas de Fidel”. Kvankam ĝia nomo, la historio tute ne temas pri Fidel aŭ Kubo, la filmo rakontas la historio de franca knabino kiu aĝas pli malpli 9 jarojn, havas komunistajn gepatrojn kaj burĝajn konservemajn geavojn, kaj studas en katolika lernejno, tio ĉio dum epoko (1970) kiam la mondo trapasis politikajn malordaĵojn kiel la alveno de Allende al la povo en Ĉilio kaj la diktaturo de la generalo Franco en Hispanio. La rigardindaĵo el la filmo estas ke ĝi montras tiujn aferojn per vidpunkto el naŭ-aĝa knabino kaj ankaŭ kiel tio influas sian kreskadon. Ĝi estas vere vidinda, kaj eĉ pli por tiuj kiuj volas iomete fuĝi el la ĉiamaj filmoj el Hollywood.


sexta-feira, 11 de abril de 2008

Anarkia ebleco / Possibilidade de anarquia


Ofte oni diras ke anarkio estas tre bela ideo, sed ke ĝi tamen tute ne eblas. Ĉu tio pravas? Oni diras ke la homoj ne pretas vivi anarkie ĉar ofte ili ne estas sufiĉe bonkoraj. Mi konsentas ke la malbonkoreco estas grava obstaklo por ke oni atingu anarkian societon, fakte ĝi estas obstaklo por ke oni atingu ĉiojn bonajn aferojn, tamen kelkfoje mi pensas ke la malbonkoreco ne nur estas la kaŭzo de nia nuna socio, sed precipe ke ĝi estas ties efiko. La socio en kiu ni vivas forte influas niajn pensojn kaj agadojn, se ni do ŝanĝu la socion, ni iel ankaŭ ŝanĝu la homojn mem. Tamen kompreneble tiu ŝanĝo devas okazi nur libervole.

Kelkfoje oni demandas al mi: Ĉu la mondo pretas por anarkio? Mi vere ne scias tian respondon, sed laŭ mi tio ne estas la korekta demando, unue oni devas demandi: Ĉu mi pretas por anarkio? Fakte oni ne devas atendi la pliboniĝon de la mondo por pliboniĝi sin mem, se vi kredas en pli belan socion kaj se vi jam povas iel ĉiutage vivi laŭ tia ideo, do kion vi atendas? Ne gravas kion pensas la mondo, ne gravas ke la aliaj ankoraŭ ne komprenas tian ideon, kio gravas estas ke vi vivu laŭ viaj pensoj kaj laŭ via volo, certe jam ekzistas multajn aliajn homojn kiuj ankaŭ pretas vivi anarkie.

Unufoje, grava anarkiista pensisto kiu nomiĝis Errico Malatesta jam diris: “Ne gravas do se anariko okazos hodiaŭ, morgaŭ aŭ post dek jarcentoj, kio gravas estas ke oni iru en tiun direkton hodiaŭ, morgaŭ kaj ĉiam.”

Do, sanon, pacon kaj anarkion al ĉiuj!


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Constantemente se diz que a anarquia é uma idéia muito bonita, mas que porém ela não é realizável. Será que isso é verdade? Se diz que os homens não estão prontos para viver anarquicamente pois muitas vezes eles não são boas pessoas. Eu concordo que a maldade muitas vezes é um grande obstáculo para que se atinja uma sociedade anárquica, na verdade ela é um obstáculo para que se atinja qualquer coisa boa, porém as vezes eu penso que a maldade não é apenas causa de nossa sociedade atual, mas que ela é principalmente seu efeito. A sociedade em que nós vivemos influencia fortemente nossos pensamentos e nossas atitudes, logo se nós mudássemos a sociedade, de alguma forma nós também estaríamos mudando as pessoas em si, porém, compreensivelmente essa mudança tem que acontecer voluntariamente.

As vezes me perguntam: Será que o mundo esta pronto para a anarquia? Sinceramente não sei esse tipo de resposta, mas para mim essa não é a pergunta correta, primeiramente há que se perguntar: Será que eu estou pronto para a anarquia? De fato as pessoas não devem esperar a melhora do mundo para melhorar a si mesmos, se você acredita em uma sociedade mais bonita e já pode, de alguma forma, todos os dias viver de acordo com esse pensamento, então o que você está esperando? Não importa o que o mundo pensa, não importa que os outros não compreendam essas idéias, o que importa é que você viva de acordo com os seus pensamentos e suas vontades, certamente já existem muitas outras pessoas que também estão prontas para viver a anarquia.

Uma vez, um importante pensador anarquista, que se chama Errico Malatesta já disse: “Não se trata, portanto, de chegar à anarquia hoje ou amanhã, ou em dez séculos, mas caminhar rumo a anarquia hoje, amanhã e sempre”.

Então, saúde, paz e anarquia a todos.


quarta-feira, 19 de março de 2008

Do you speak english?


Certo dia estava sentado conversando com uma amiga da República Tcheca e com um amigo da Suíça, ao princípio conversávamos sobre músicas e um deles me perguntou se no Brasil as pessoas escutavam muitas músicas vindas dos países vizinhos, dizendo a verdade falei que aqui nós basicamente, além de músicas brasileiras, só escutamos músicas vindas do EUA, com raras exceções. O engraçado foi que a resposta dos dois à mesma pergunta foi igual a minha, nos seus países praticamente só se ouviam musicas feitas no próprio país ou então músicas americanas. Depois disso começamos a conversar sobre filmes, e mais uma vez foi engraçado verificar que com os filmes, tanto na televisão como nos cinemas, acontecia a mesma coisa, filme estrangeiro, quase sempre do Tio Sam.
Estávamos em um encontro de esperantistas e depois dessa conversa saímos perguntando às outras pessoas as mesmas coisas, e confirmamos que na Holanda, Colômbia, Dinamarca, Itália, entre outros, o mesmo se passava, enfim, isso é internacional.
Porque será que isso acontece? Será que os filmes americanos são muito melhores que os demais? Os cantores de lá são melhores? A cultura do EUA é muito mais interessante do que as outras? Com certeza nada disso. As vezes nós não percebemos mas a imposição do inglês como língua internacional funciona como mais uma ferramenta do domínio imperialista norte-americano. É uma imposição que leva povos vizinhos e amigos a não saberem nada um sobre o outro. Por exemplo, qual foi a ultima vez que você leu alguma notícia sobre o Uruguai? Fiz uma breve pesquisa nos canais da TV a cabo aqui de casa e descobri que dos canais estrangeiros 82% são americanos, que coisa, não?
Vemos o mundo ficar cada vez mais massificado, vemos pessoas de todos os lugares assimilando e colocando em prática valores importados da cultura americana, que na maioria das vezes não tem nada a ver com sua própria cultura. A imposição de uma língua nativa como língua internacional tem esse problema, isso é incompatível com a enorme diversidade cultural que existe no planeta, essa imposição dizima costumes, massifica as pessoas, faz línguas menores desaparecerem, enfim, não respeita nenhum tipo de diversidade, diversidade que é algo inerente aos seres humanos.
Aceitar o inglês como língua internacional é aceitar tudo isso que eu disse acima, é aceitar o domínio e a imposição ideológica-cultural de uma nação perante todas as outras, é concordar com a própria submissão. Por isso é que eu gosto tanto do esperanto, não apenas porque é fácil de se aprender, mas principalmente porque é uma língua neutra, é uma língua que não é de ninguém e ao mesmo tempo é de todo mundo, é uma ferramenta lingüística a favor da liberdade e da diversidade do ser humano, por isso costuma-se dizer: Para cada povo sua língua, para todos os povos, esperanto. Aprender esperanto é muito mais do que apenas conhecer mais uma língua, aprender o esperanto é lutar por um ideal de liberdade e de verdadeiro respeito às diferentes culturas. Por isso eu o amo tanto, por isso eu sempre falo sobre ele, e é por isso que no mundo todo existem muitos outros iguais a mim.

terça-feira, 11 de março de 2008

Io pri anarkio


Por montri al la homoj ion pri anarkio, mi trovis etan tekston de grava anarkiista pensisto kiu nomiĝas Joseph Proudhon kaj mi tradukis ĝin al esperanto kun la helpo de mia sveda amiko Alf. Laŭ mi kvankam simpla kaj eta, la teksto estas ja bona. Do, jen ĝi:

"La anarkistoj imagas societon en kiu la homaj rilatoj ne estus faritaj per leĝoj aŭ per truditaj aŭ elektitaj aŭtoritatoj, sed faritaj per interkonsento inter ĉiuj sociaj interesoj kaj la sumo de la sociaj moroj - ne mobilizitaj per leĝoj, rutinoj aŭ per superstiĉo - sed je senĉesa evoluo, ŝanĝante por plaĉi al la ĉiamaj kreskantaj homaj bezonoj je libera vivo, akcelita pro la scienca progreso, pro novaj inventaĵoj kaj pro la senĉesa evolucio de la pliboniĝantaj ideoj. Do ne ekzistus aŭtoritatoj por direktigi ĝin. Neniu homo direktigus alian homon."


Verŝajne baldaŭ mi metos ĉi tien aliajn tekstojn pri anarkio.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Algumas coisas que andei lendo por aí ...


No meio da minha nova busca por textos sobre anarquia acabei encontrando algumas pessoas que viam na filosofia taoísta algumas semelhanças com o ideal anárquico. Fiquei bem curioso, até porque eu não sabia nada sobre o taoísmo, então resolvi pegar um livro sobre esse tema pra ver do que se tratava. Acabei comprando o Tao Te Ching, que foi o livro que serviu como obra inspiradora para o taoísmo, e confesso que fiquei maravilhado com muitas coisas que estavam escritas lá. O livro é composto por poemas, e de fato me pareceu que alguns deles lembram bastante a filosofia anarquista no sentido de que as pessoas devem se autogovernar e não ser obrigadas a fazerem as coisas pela força das armas ou pelo poder das leis. Enfim, achei o Tao Te Ching uma leitura bem interessante, e só para ilustrar vou deixar aqui um dos poemas que eu mais gostei. Aproveitem!

A força do agir sem esforço

Pela retidão se governa um país e pela prudência se conduz um exército.

Mas é pela não-ação que é regido o Universo.

Como saber se isto é verdade? São estes os fatos: É evidente por si mesmo.

Num reino a multiplicidade de proibições gera a pobreza do povo.

Quando mais proibições existem, tanto mais o povo empobrece.

Quanto mais incentivos para aumentar o lucro, maior a desordem no clã e no Estado.

Quando mais destreza possuem os homens, mais estranhas são as artimanhas para vencê-la.

Quando mais aprimorada é a legislação e a censura, maior número de assaltantes aparecem.

Quando os homens só pensam em si mesmos, abundam os ladrões.

Prepara-se a revolução quando os homens só pensam em si mesmos.

Abundam ladrões e salteadores quando o governo só confia em leis e decretos para manter a ordem.

Pelo que diz o sábio: Não intervenho! E eis que por si mesma prospera a vida na sociedade.

Não intervindo em seus negócios e o povo por si mesmo alcançará a felicidade.

Mantenha-me imparcial! E por si mesma floresce a ordem.

Não nutro desejos pessoais!

E eis que por si mesmo tudo vai vem.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Novos rumos


Como pôde-se perceber, o ultimo texto que escrevi foi em esperanto. Isso é uma tentativa minha de tornar o blog mais internacional, para que pessoas de todos os povos possam ler sobre algumas das coisas que eu penso, além disso espero que de alguma forma essa prática de escrever textos em esperanto (que espero que seja mais frequente a partir de agora) sirva como estimulo para os interessados aprenderem essa língua que eu tanto amo e que tanto influenciou o meus pensamentos e a minha forma de ver o mundo. Enfim, desculpem pela longa ausência aqui nesse blog, mas pra mim ela foi extremamente proveitosa, espero que bons textos estejam por vir.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Reveno


Post multe da tempo mi finfine reskribas ĉi tie. Mi iomete pardonpetas al la legantoj sed mi bezonis tiun tempon por pensi pri kelkaj aferoj, miaj ideoj ofte ne estis tre klara ĉe mia kapo. Dum la lastaj monatoj multajn aferojn okazis ĉe mi, do pro tio mi iomete ŝanĝis kelkajn pensojn, kaj tio okazis precipe pro esperanto, tial mi pensis ke mia unua reskribado devus esti en esperanto. Nuntempe finfine mi trovis mian vojon, nun mi ne plu timas pri miaj pensoj, tio ne signifas ke ili neniam ŝanĝos, sed signifas ke nun mi ne dubas pri kion mi devas kredi. Miaj ideoj nun ofte temas pri anarkio, esperanto kaj vera libereco, poste mi klarigos pli bone kion mi pensas pri tiaj ideoj, do verŝajne baldaŭ mi metos aliajn tekstojn ĉi tie, tion mi esperas.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Che Guevara


Nessa semana fazem 40 anos da morte do Che, por isso resolvi escrever algumas coisas que penso sobre essa figura tão idolatrada por uns e tão odiada por outros.

De fato Che Guevara matou muitas pessoas, ele era um guerrilheiro, vivia em época de guerras onde os revolucionários estavam sendo presos, torturados e dizimados por ditaduras militares bancadas pelo EUA. Pessoalmente eu sou contra qualquer tipo de violência, portanto não concordo com algumas coisas que o próprio Che fez, porém quando se conhece a situação que a América Latina vivia em meados do século XX, fica claro que qualquer tentativa de se fazer uma revolução pacífica seria uma explicita tentativa de suicídio, Che Guevara entendia isso.

Por volta do ano de 1950 em vários pontos da América latina estavam surgindo movimentos revolucionários, principalmente devido a condição de extrema pobreza em que grande parte da população vivia, pobreza essa causada em grande parte pela submissão de alguns governos a políticas imperialistas vindas de terras ao norte, que favoreciam ao grande latifúndio e as grandes empresas em detrimento da população. Nesse contexto, a alta burguesia juntamente com os militares desses países, contando com o apoio financeiro-militar-ideológico dos EUA, promoveram ditaduras em quase todos os países da América latina, para conter o avanço de qualquer ideologia contrária ao neoliberalismo burguês. Não preciso descrever aqui os horrores que uma ditadura militar causa a sua população, quem tem o mínimo de conhecimento já sabe.

A própria decisão do Che em se tornar guerrilheiro veio nesse contexto vivido pela América latina. Apesar da população estar vivendo num mar de pobreza e estar a favor de mudanças revolucionárias, quem mostrasse que era a favor de um socialismo, era preso, torturado e até mesmo morto. Isso ficou claro para ele quando passou alguns meses na Guatemala. Naquela época, depois de longos anos de governos totalitários, esse país estava vivendo pela primeira vez em sua história um governo democrático com um presidente eleito e várias medidas de caráter social estavam sendo tomadas, como por exemplo, um grande processo de reforma agrária, o que desagradou muito os grandes latifundiários e os EUA. Nessa época o Che foi para Guatemala com o objetivo de se tornar médico do estado para ajudar as comunidades agrárias e indígenas que sofriam muito por falta de medicamentos e médicos, foi nessa época também que começou a se engajar mais politicamente. Com a iminência de um golpe militar que sufocaria toda a revolução com um tremendo banho de sangue, Guevara viu que não haveria outra maneira senão a defesa da revolução através da luta armada e aquela época ficou marcada como a forja de um revolucionário.

A partir daí muitas coisas se sucederam, Che Guevara conheceu Fidel e participou ativamente da revolução cubana, tanto na derrubada do ditador Fulgêncio Batista como nos primeiros anos da revolução. Mas o que ficou marcado realmente na memória das pessoas era o total desapego do Che as coisas materiais e a capacidade de que ele tinha de viver em função daquilo que ele acreditava. Nessa época em Cuba, Guevara chegou a ser o segundo homem mais poderoso do país, apenas abaixo de Fidel, mas ele abriu mão disso pra voltar ao campo de batalha para lutar pela internacionalização da revolução. Em Cuba ele tinha poder nas suas mãos e uma vida aparentemente tranqüila, mas ele renegou tudo isso para viver como guerrilheiro na África e também em outros países da América, para lutar pelo povo. Che foi uma pessoa que literalmente entregou a sua vida pela causa que acreditava, Che foi uma das poucas pessoas que não foi corrompida pelo poder, e foi principalmente isso que o tornou uma figura tão idolatrada.

Enfim, existem muito mais coisas a se dizer sobre Guevara, muitas passagens interessantes sobre sua personalidade entre outras coisas, mas para não alongar mais o texto, vou ficando por aqui com uma ultima observação. A situação em que vivemos hoje é bem diferente da que o Che vivia, portanto creio que uma solução armada para nossos problemas está fora de cogitação, claro que essa conclusão pessoal também leva um pouco da minha ideologia pacifista de não-violência inspirada em Gandhi, mas quase a totalidade dos socialistas de hoje não é mais a favor desses métodos de guerrilhas, com apenas algumas poucas exceções. Apesar disso, penso que Che Guevara é uma figura que tem que ser lembrada, não como um exemplo de guerrilheiro, mas como um exemplo de um ser humano que mostrou total desapego a bens materiais, total desapego ao poder e colocou acima de tudo, inclusive acima da sua própria vida, o que ele acreditava, uma sociedade menos injusta e com mais igualdade.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Contradições


Vivemos hoje em um mundo majoritariamente dominado pelo sistema capitalista, e indiscutivelmente vivemos em um mundo em que existem vários problemas sociais, muitas vezes problemas extremos. Só pra citar um dado, o PIB do Haiti é de aproximadamente US$ 6 bilhões de dólares (2005), sendo que sua população é de aproximadamente 7,5 milhões de habitantes (julho de 2003), por outro lado, o Bill Gates possui sozinho um patrimônio estimado em cerca de US$ 60 bilhões de dólares, ou seja, o Haiti todo precisaria trabalhar durante 10 anos sem gastar nenhum tostão para poder produzir a riqueza equivalente a que o tio Bill possui sozinho.

Pode-se até usar o argumento de que o Bill Gates conseguiu acumular essa riqueza de forma honesta (apesar disso também ser altamente discutível), mas mesmo assim para mim isso de maneira nenhuma justifica tamanha diferença, tamanha injustiça.

Não estou aqui querendo colocar a culpa dos problemas do mundo no Bill Gates, de maneira nenhuma, a culpa é de vivermos em um sistema que não apenas permite esse tipo de coisa, mas também incentiva esse acumulo de capital. O sistema capitalista tem problemas que são intrínsecos a ele, pois quem tem muito dinheiro pode investir e assim gerar ainda mais dinheiro, e para quem não o tem só resta viver de acordo com as regras impostas, aumentando assim a já enorme desigualdade social existente. Daí vem aquela famosa frase: “Os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres”. Apesar de ser um clichê, é a mais pura verdade.

O sistema capitalista se baseia na concorrência, na disputa entre os indivíduos, e como em toda disputa, alguns ganham e alguns perdem, isso é um problema sistêmico, alguns tem que perder, é inerente a existência do capitalismo. Por que não se pensar em um sistema em que todos podem juntos ganhar? Por que alguns têm que perder?

Einstein uma vez disse uma frase que para mim simboliza muito bem por onde deve passar a solução para esse problema, eis a frase: "Os problemas nunca podem ser resolvidos no mesmo nível de pensamento que os criou".

Achar que o próprio capitalismo pode solucionar suas contradições e os problemas que estão intrínsecos a sua existência, não passa de uma ilusão, talvez algumas reformas aqui e outras leis ali possam amenizar alguns problemas, mas não solucioná-los. Creio que é necessário se pensar em soluções que sejam definitivas, por mais utópicas que elas pareçam ser, é necessário tentar. Não vejo outra saída senão romper com o sistema do capital. Como o próprio Einstein disse, é necessário ter outro nível de pensamento.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Nia mondo


Hodiaŭ mi nur volas disvastigi al la legantoj de mia blogo ektimigan informon pri la distribuaĵo de la monda riĉeco. Estis divastigata dum la fino de la pasinta jaro por la Unuiĝintaj Nacioj (UN) raporton kiun havas la sekvantajn informojn: Proksimume la 2% pli riĉaj homoj el la planedo posedas ĉirkaŭ la duono de la monda riĉeco, kaj la 10% pli riĉaj posedas ĉirkaŭ 85% de ĝi. Nun la surpriziga informo, la 50% pli malriĉaj posedas nur ĉirkaŭ 1% de la monda riĉeco.

Mi volus skribi grandan pripenso pri tiu fako, sed mi pensas ke tio tute ne estas necesa, la informoj diras por si mem. Laŭ mi ekzistas neniun penson kiun povas praviĝi kiel akceptebla tian grandan maljustaĵo.

La monda sistemo urĝe bezonas grandegan ŝanĝon!

terça-feira, 14 de agosto de 2007

O nosso mundo


Hoje quero apenas compartilhar com os leitores do meu blog um dado assustador sobre a distribuição das riquezas no planeta. Foi divulgado no final do ano passado pela Organização das Nações Unidas (ONU) um relatório contendo os seguintes dados: Cerca de 2% dos adultos mais ricos do planeta possuem mais da metade da riqueza mundial, enquanto que os 10% mais ricos possuem cerca de 85% da mesma. Agora pasmem, os 50% mais pobres do planeta possuem aproximadamente apenas 1% da riqueza mundial.

Eu tinha pensado em escrever uma longa reflexão sobre esse tema, mas realmente acho que não é necessário. Esses dados falam por si só. No meu ponto de vista não existe argumento nenhum que possa justificar como aceitável tamanha injustiça.

Uma mudança radical do sistema vigente no planeta é necessária, e é urgente!

sábado, 11 de agosto de 2007

Salário único


Um tema que tem voltado as minhas reflexões nos dias de hoje é a questão da existência de um salário único para todas as profissões (que fossem honestas). Isso seria algo como remunerar os trabalhadores de maneira igualitária pela hora trabalhada.

O problema principal que eu vejo em se remunerar de maneira diferente a profissões diferentes, é que acaba criando-se certas profissões que “dão dinheiro” e outras que “não dão dinheiro”, e essa diferenciação não é feita pela importância para sociedade da profissão (como se existisse uma profissão mais importante do que outra), mas é feita pela capacidade de se gerar lucro em cima dessa profissão, por exemplo, trabalhos que são feitos nas áreas humanas, como psicologia, ciências sociais, pedagogia, entre outros, quase sempre tem uma remuneração infinitamente menor do que a de um engenheiro. O engenheiro pode gerar enormes lucros para grandes empresas, logo seu salário pode ser alto, mas os benefícios das outras profissões que citei acima são mais voltados ao ser humano e não ao lucro, logo o salário delas é bem menor. Será que essa mentalidade de se colocar o dinheiro na frente do ser humano é realmente correta? Certamente não é, pelo menos pra mim não.

Eu vou um pouco mais além, acho que até mesmo os trabalhadores como, por exemplo, os pedreiros, jardineiros, garis, profissões essas que não exigem uma grande quantidade de estudo para serem realizadas, também deveriam ter remuneração iguais as outras, pois indiscutivelmente a nossa sociedade precisa de pessoas que construam prédios e outras que limpem ruas, não há como viver sem elas, essas são profissões extremamente necessárias e igualmente dignas as outras. Dizer que essas profissões são inferiores é admitir que tenham que existir pessoas sujeitas a trabalhos inferiores, logo essas pessoas seriam também inferiores, pois se não fossem estariam em profissões melhores, e sinceramente eu não acredito que numa sociedade tenha que existir pessoas inferiores, eu acredito muito na igualdade.

Essa diferenciação entre profissões que dão dinheiro e profissões que não o dão, acaba fazendo com que muitas pessoas escolham as suas, não de acordo com suas capacidades ou de acordo com aquilo que se sentiriam realizadas fazendo, mas de acordo com a possibilidade de se ganhar dinheiro. Por exemplo, muitas pessoas que são extremamente apaixonadas por música ou por artes, acabam se tornando advogados ou médicos simplesmente porque são profissões que dão dinheiro. A partir daí o trabalho dessas pessoas deixa de ser uma fonte de prazer e bem-estar, deixa de ser algo que ela faz por amor e passa a ser uma obrigação a mais que ela tem em sua vida. Se o salário fosse igual para todas as profissões, as pessoas seriam verdadeiramente livres para escolher seu trabalho de acordo com suas capacidades e suas vocações.

Como o próprio Karl Marx uma vez disse: “A cada qual segundo suas habilidades e a cada qual segundo suas necessidades”

Um argumento contrário a essa idéia de salário único é o de que ao se fazer isso, por exemplo, no caso de “condenar” um médico a ganhar a mesma coisa que um jardineiro, não se estaria dando muito valor à vida, pois como os médicos tratam da vida das pessoas eles deveriam ganhar mais. Mas na verdade eu penso justamente o contrário, é justamente por dar valor a vida que eu gostaria que os médicos ganhassem o mesmo que todos os outros, pois eu acho que quem cuida da saúde das pessoas deveria fazer isso porque gosta de fazer, por amor a ajudar ao próximo, e não por amor a ganhar dinheiro. A vida é muito importante para ser tratada como mercadoria!

Enfim, eu entendo que a adoção de um salário único na sociedade do jeito que ela é hoje, seria uma medida talvez fadada ao fracasso, pois alguns avanços sociais teriam que ser atingidos antes de se tomar essa decisão. Acho difícil de imaginar isso dar certo enquanto os meios de produção forem privados e estiverem nas mãos de poucas pessoas, mas isso não é motivo para se desistir da idéia, muito pelo contrário, tudo que seja a favor de uma sociedade melhor tem que ser levado adiante, por mais difícil que seja sua implementação. Como eu sempre gosto de dizer: um outro mundo sempre é possível.

Uma coisa que sinceramente eu não consigo entender é como algumas pessoas podem ter tanto medo de uma palavra tão bonita como igualdade.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Ditadura do capital


Nos dias de hoje é comum vermos os meios de comunicação associarem o modelo capitalista à liberdade. Ao se fazer uma análise superficial sobre o tema pode-se até chegar à conclusão de que isso seria uma verdade, pois os indivíduos são livres para ganhar a vida como quiserem, além de poderem ser donos dos meios de produção e ordená-la de acordo com os seus desejos.

Porém ao analisarmos mais cuidadosamente a situação, vemos o aparecimento de certas regras “invisíveis”, as leis de mercado, que acabam limitando a liberdade e a própria individualidade das pessoas.

É sabido, por exemplo, que falta comida a muitas pessoas no nordeste, mas se uma pessoa compra um grande pedaço de terra nessa região o que acontece? Ela faz um estudo das necessidades sociais ou faz um estudo de mercado? Ela vai perceber que o poder aquisitivo dos esfomeados é quase nulo, logo a produção de alimentos básicos como arroz e feijão não lhe daria muito lucro, mas ao contrário, se ela produzir cana-de-açúcar e exportar para produção de biocombustíveis, seus lucros seriam imensos. Como o capitalismo é um sistema “livre”, ela terá a liberdade de escolher, e obviamente vai escolher o caminho dos biocombustíveis, mas nesse caso o que acontece com as pessoas que estavam sem comida? Onde será que está a liberdade delas? Nesse caso vemos que a liberdade promovida pelo capitalismo é a dos ricos de enriquecerem cada vez mais e a dos pobres de morrerem de fome.

Outro ponto que cabe reflexão é sobre a mídia de massa, no Brasil hoje em dia, assim como em toda América latina e no resto do mundo, sabe-se que existem muitos pensadores ou intelectuais que tem opiniões com tendências esquerdistas e contrárias ao capitalismo, só pra citar alguns exemplos, Chico Buarque, Gabriel Garcia Márquez, José Saramago, Oscar Niemeyer, Noam Chomsky entre muitos outros, porém apesar de terem opiniões admiradas por muitas pessoas, elas são completamente censuradas pelos grandes veículos de comunicação. Ou você acha que algum dia algum deles vai ter uma coluna na Veja? Dizem que no capitalismo existe liberdade de expressão, o que é uma grande mentira, a mídia sendo privada, não tem uma preocupação com a formação de bons cidadãos, ela se preocupa com o seu lucro, pois sendo uma empresa ela não pode funcionar tendo prejuízo, e para isso faz uso do seu poder como formadora de opinião para justificar um sistema que beneficia a ela mesma, excluindo e difamando, muitas vezes com mentiras, qualquer coisa que vá contra sua ideologia. Assim textos e opiniões de pessoas como as citadas acima são completamente censuradas, restando apenas sua publicação em jornais periféricos de pouco alcance comparado com o das grandes empresas de comunicação. Do ponto de vista da idéia censurada, não faz diferença se ela foi censurada pelo estado ou pela cúpula editorial de um jornal, o efeito é o mesmo. Ela não chega à população.

Uma vez Lenin disse: “A liberdade de imprensa de uma sociedade burguesa consiste na liberdade dos ricos para fraudar, desmoralizar e ridicularizar sistemática e incessantemente as massas exploradas e oprimidas do povo”.

Eu poderia ficar aqui citando vários exemplos de exclusão e imposições impregnadas na sociedade pelo sistema capitalista, e o farei em outra oportunidade, mas por hoje acho que isso aqui está bom, queria deixar apenas só mais um recado, muitas pessoas nos dizem que o mundo infelizmente é assim e agente tem que aprender a conviver com isso, como se as leis de mercado fossem algo que estivessem impregnados na natureza do planeta, mas isso não é verdade, se o mundo é assim, nós podemos mudá-lo. Existem outras alternativas diferentes do capitalismo, um outro tipo de sociedade é possível. Desigualdade não é lei de vida!

domingo, 5 de agosto de 2007

O começo


Ultimamente minha cabeça tem sido um grande emaranhado de pensamentos. Por muitas vezes até mesmo o simples ato de dormir tem se tornado uma tarefa complicada devida a grande atenção que tenho dirigido a algumas idéias que surgem na minha mente como alternativas a construção de um mundo melhor.

São idéias na maioria das vezes utópicas e normalmente incompreendidas e desacreditadas pela maioria das pessoas, mas afinal, que utopia não é realizável? Eu não sei, pois para mim se uma idéia não é utópica ela não vale a pena ser levada adiante, e como a própria história já mostrou várias vezes, utopias de uns se tornam realizações de outros.

Na verdade queria apenas poder transmitir um pouco do que penso a outras pessoas, digo um pouco, pois sei que palavras são sempre muito mais limitadas do que idéias, logo transmitir meus pensamentos como eles existem dentro de mim é uma tarefa impossível, mas enfim, o que eu quero aqui é apenas colocar algumas reflexões sobre a mesa, sem nenhum compromisso em querer ser o dono da verdade, até porque talvez isso nem exista. O importante é que as pessoas reflitam sobre as coisas que acontecem no mundo, e para isso dou a minha pequena contribuição construindo esse Blog.

Então faça bom proveito! Reflita sempre sobre as coisas e nunca se esqueça de que um outro mundo é possível, apesar do que dizem.