Um tema que tem voltado as minhas reflexões nos dias de hoje é a questão da existência de um salário único para todas as profissões (que fossem honestas). Isso seria algo como remunerar os trabalhadores de maneira igualitária pela hora trabalhada. O problema principal que eu vejo em se remunerar de maneira diferente a profissões diferentes, é que acaba criando-se certas profissões que “dão dinheiro” e outras que “não dão dinheiro”, e essa diferenciação não é feita pela importância para sociedade da profissão (como se existisse uma profissão mais importante do que outra), mas é feita pela capacidade de se gerar lucro em cima dessa profissão, por exemplo, trabalhos que são feitos nas áreas humanas, como psicologia, ciências sociais, pedagogia, entre outros, quase sempre tem uma remuneração infinitamente menor do que a de um engenheiro. O engenheiro pode gerar enormes lucros para grandes empresas, logo seu salário pode ser alto, mas os benefícios das outras profissões que citei acima são mais voltados ao ser humano e não ao lucro, logo o salário delas é bem menor. Será que essa mentalidade de se colocar o dinheiro na frente do ser humano é realmente correta? Certamente não é, pelo menos pra mim não.
Eu vou um pouco mais além, acho que até mesmo os trabalhadores como, por exemplo, os pedreiros, jardineiros, garis, profissões essas que não exigem uma grande quantidade de estudo para serem realizadas, também deveriam ter remuneração iguais as outras, pois indiscutivelmente a nossa sociedade precisa de pessoas que construam prédios e outras que limpem ruas, não há como viver sem elas, essas são profissões extremamente necessárias e igualmente dignas as outras. Dizer que essas profissões são inferiores é admitir que tenham que existir pessoas sujeitas a trabalhos inferiores, logo essas pessoas seriam também inferiores, pois se não fossem estariam em profissões melhores, e sinceramente eu não acredito que numa sociedade tenha que existir pessoas inferiores, eu acredito muito na igualdade.
Essa diferenciação entre profissões que dão dinheiro e profissões que não o dão, acaba fazendo com que muitas pessoas escolham as suas, não de acordo com suas capacidades ou de acordo com aquilo que se sentiriam realizadas fazendo, mas de acordo com a possibilidade de se ganhar dinheiro. Por exemplo, muitas pessoas que são extremamente apaixonadas por música ou por artes, acabam se tornando advogados ou médicos simplesmente porque são profissões que dão dinheiro. A partir daí o trabalho dessas pessoas deixa de ser uma fonte de prazer e bem-estar, deixa de ser algo que ela faz por amor e passa a ser uma obrigação a mais que ela tem em sua vida. Se o salário fosse igual para todas as profissões, as pessoas seriam verdadeiramente livres para escolher seu trabalho de acordo com suas capacidades e suas vocações.
Como o próprio Karl Marx uma vez disse: “A cada qual segundo suas habilidades e a cada qual segundo suas necessidades”
Um argumento contrário a essa idéia de salário único é o de que ao se fazer isso, por exemplo, no caso de “condenar” um médico a ganhar a mesma coisa que um jardineiro, não se estaria dando muito valor à vida, pois como os médicos tratam da vida das pessoas eles deveriam ganhar mais. Mas na verdade eu penso justamente o contrário, é justamente por dar valor a vida que eu gostaria que os médicos ganhassem o mesmo que todos os outros, pois eu acho que quem cuida da saúde das pessoas deveria fazer isso porque gosta de fazer, por amor a ajudar ao próximo, e não por amor a ganhar dinheiro. A vida é muito importante para ser tratada como mercadoria!
Enfim, eu entendo que a adoção de um salário único na sociedade do jeito que ela é hoje, seria uma medida talvez fadada ao fracasso, pois alguns avanços sociais teriam que ser atingidos antes de se tomar essa decisão. Acho difícil de imaginar isso dar certo enquanto os meios de produção forem privados e estiverem nas mãos de poucas pessoas, mas isso não é motivo para se desistir da idéia, muito pelo contrário, tudo que seja a favor de uma sociedade melhor tem que ser levado adiante, por mais difícil que seja sua implementação. Como eu sempre gosto de dizer: um outro mundo sempre é possível.
Uma coisa que sinceramente eu não consigo entender é como algumas pessoas podem ter tanto medo de uma palavra tão bonita como igualdade.