segunda-feira, 14 de março de 2011

Trechos de Crepúsculo dos Ídolos de Friedrich Nietzsche


Erro da vontade livre.
- Hoje já não temos mais nenhuma compaixão pelo conceito de "vontade livre": sabemos muito bem o que ele é - o mais suspeito artifício dos teólogos que existe; um artifício que tem por objetivo fazer com que a humanidade se torne "responsável" à moda dos teólogos, isto é, que visa fazer com que a humanidade seja dependente deles... Eu ofereço aqui apenas a psicologia de toda e qualquer atribuição de responsabilidade. - Onde quer que as responsabilidades sejam procuradas, aí costuma estar em ação o instinto de querer punir e julgar. Despiu-se o vir-a-ser de sua inocência, quando se reconduziram os diversos modos de ser à vontade, às intenções, aos atos de responsabilidade. A doutrina da vontade é inventada essencialmente em função das punições, isto é, em função do querer-estabelecer-a-culpa. Toda a psicologia antiga, a psicologia da vontade, tem seu pressuposto no fato de que seus autores, os sacerdotes no topo das comunidades antigas, queriam criar para si um direito de infligir penas - ou queriam ao menos criar um direito para que Deus o fizesse... Os homens foram pensados como "livres", para que pudessem ser julgados e punidos - para que pudessem ser culpados. Conseqüentemente, toda ação precisaria ser considerada como desejada, a origem de toda ação como estando situada na consciência (- com o que a mais fundamental fabricação de moedas falsas transformou-se, no interior do psicologicismo, em princípio da própria psicologia...). Hoje, quando adentramos o movimento inverso, quando nós imoralistas buscamos novamente com toda força sobretudo retirar do mundo o conceito de culpa e o conceito de punição, purificando destes conceitos a psicologia, a história, a natureza, as instituições e as sanções comunitárias, não há em nossos olhos nenhum antagonismo mais radical do que o em relação aos teólogos que continuam a infectar a inocência do vir-a-ser com as noções de “punição” e "culpa", a partir do conceito de "ordem moral do mundo". O cristianismo é uma metafísica de carrasco...


Qual pode ser nossa única doutrina?
- Que ninguém dá ao homem suas propriedades; nem Deus, nem a sociedade, nem seus pais e ancestrais, nem ele mesmo (- o contra-senso da representação, aqui por fim recusada, é ensinado por Kant, e talvez mesmo já por Platão, como "liberdade inteligível"). Ninguém é responsável em geral por ele existir, por ele ser constituído de tal ou tal modo, por ele se encontrar sob estas circunstâncias, nesta ambiência. A fatalidade de sua existência não pode ser separada da fatalidade de tudo o que foi e de tudo o que será. O homem não é a conseqüência de uma intenção própria, de uma vontade, de uma finalidade. Com ele não é feita a tentativa de alcançar um "ideal de homem" ou um "ideal de felicidade" ou um "ideal de moralidade". - É absurdo querer fazer rolar sua existência em direção a uma finalidade qualquer. Nós inventamos o conceito de "finalidade": na realidade falta a finalidade... É-se necessariamente, se é um pedaço de fatalidade, se pertence ao todo, se está no todo. Não há nada que pudesse julgar, medir, comparar, condenar nosso ser, pois isso significaria julgar, medir, comparar, condenar o todo... Mas não há nada fora do todo! Que ninguém mais seja responsável, que o modo de ser não possa ser reconduzido a uma causa prima, que o mundo não seja uma unidade nem enquanto mundo sensível, nem enquanto "espírito": só isso é a grande libertação. - Com isso a inocência do vir-a-ser é restabelecida... O conceito de "Deus" foi até aqui a maior objeção contra a existência... Nós negamos Deus, negamos a responsabilidade em Deus: somente com isso redimimos o mundo.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Expectativas


O que as pessoas esperam de você é problema delas e não seu. Se elas sofrem por isso, é culpa apenas delas e não sua. Por acaso foi você que pediu que eles ficassem colocando expectativas nas suas costas? Se o outro não age de acordo com o que você espera dele e você fica decepcionado, então saiba que a culpa da decepção é apenas sua. Você que criou fantasias de como os outros deveriam ser. São as suas ideias de como que o outro, de como que a vida tem que ser que tornam a sua vida essa miséria. E não só isso. Aquele que faz o que os outros esperam dele achando que estão os ajudando ao fazer isso não passa de um bobalhão que apenas ajuda a criar mais miséria. Se você prostitui a sua própria vontade, a sua própria espontaneidade, a sua própria alma, pelo ''outro'', você está apenas ajudando ele a permanecer o mesmo bebê imaturo que fica criando expectativas a respeito de tudo para depois poder se fazer de vítima do universo inteiro. Ao ajudar o outro a ver a vida que ele espera, você o impede de ver a vida como ela é. Você rouba dele a única coisa que ele veio fazer aqui, que é conhecer a vida. Enquanto essa ideia absurda de como a vida deveria ser estiver viva, a vida como ela é jamais será percebida, jamais será vivida. E não é só pelo outro. Quando você se vende por ele, você se destrói. Nesse ato de ''ajudar o outro'' você perde a vida que está aqui agora esperando que você desperte o seu potencial máximo. A vida não faz nada além de tentar te mostrar quem você é. Mas você prefere ser o herói. Você quer salvar o outro. Mas você mesmo ainda não se encontrou. E jamais se encontrará enquanto estiver sendo alguém ''pelo outro''. Seja você mesmo, seja o que você é. É o único jeito. Encontre quem você é e pare com esse teatro de ser o salvador do mundo, pois essa mentira só te leva cada vez mais para longe de si mesmo. Torne-te quem você é e depois disso você verá que sem nenhum esforço, só o fato de ser si mesmo será suficiente para ajudar quem estiver desfrutando o tempo com você. Seja você mesmo, que assim você finalmente encontrará sem nenhum esforço todo aquele altruísmo que você sempre procurou mas que nunca havia encontrado realmente. Nesse instante você verá como que anteriormente o que você achava que era amor nunca havia passado de brincadeira de criança. O amor agora passará a ter um significado muito diferente. Agora você ajudará os outros, mas não porque você tem que fazer isso, nem mesmo porque você quer fazer isso, não é uma escolha, não é um ato, isso passa a ser uma pura e simples consequência de sua própria natureza.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Torna-te quem tu és


Só aquele que encontra a si mesmo é realmente digno da vida. Vida que eu digo é a vida verdadeira, e não essa mentira que as pessoas experimentam por aí. Mas porque eu acho isso? Só aquele que vive o seu potêncial máximo é que se desgarra da culpa, do medo, da insegurança, da covardia. Viver o potêncial máximo é algo atemporal. Não é questão de uma vida inteira. Isso não interessa. O que interessa é que você encontre a si mesmo. Esse é o ponto. Para isso a vida trabalha. No momento em que se atinge essa experiência então o resto vem por si só. O que quer que seja. Pare de mentir para si mesmo! Se você não sabe nem mesmo quem você é, então como é que você quer saber qual é o seu propósito aqui?
Se você sabe quem você é então a pergunta sobre o que se deve fazer simplesmente não aparece. Você simplesmente sabe. Não é uma simples conclusão lógica, mas você sabe. O dia em que você se conhecer então todos os seus Deuses morrerão. Inclusive os Deuses disfarçados em forma de espíritos de luz e de serenões. Você não mais precisará de guias, sejam eles cegos ou lúcidos. Você simplesmente estará em pé sobre os seus próprios pés.
A questão é que só aquele que é sincero consigo mesmo, aquele que se permite qualquer coisa nos seus atos, que é verdadeiramente capaz de se avaliar e de saber realmente quem é. Aquele que se esconde atrás de uma máscara, de uma moral, de uma ética, seja ela cósmica ou terrena, de um bem e de um mal, de um certo e de um errado, esse jamais será capaz de encontrar esse estado máximo de auto-conhecimento. Aquele que se permite ser a si mesmo, esse é capaz de se encontrar. Somente quem se permite chorar, quem se permite ser cruel, somente esse pode se olhar como realmente é. Veja que estou dizendo aquele que se permite ser cruel, e não aquele que é cruel. Há uma grande diferença entre ambos, eles são inclusive opostos, pois aquele que se permite crueldades geralmente não necessita comete-las. Já aqueles que não se permitem-las, no fundo, estão sempre à postos para que alguma bandeira bonita apareça e os sirva de desculpa para cometer uma crueldade disfarçada. Basta para isso ver a história do cristianismo com sua bandeira de amor ao próximo repleta de sangue. Quem se permite verdadeiramente chorar, depois de algum tempo estará livre de choros. Já quem não se permite andará sempre por aí com sua máscara servindo de muralha escondendo o desespero do fundo de suas almas.
Pare de mentir para si mesmo. Chega de esperar pela mensagem dos anjos. Mate Deus e seus substitutos. Torne-te quem tu és!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Pensamentos de um dia nem lá e nem cá


-As vezes precisamos ir para algum lugar simplesmente para perceber que nunca havíamos precisado ir para lá. Porém, precisamos ir até lá para percebermos isso.
-Os seus atos são apenas um reflexo daquilo que você é, e não o contrário. Então, para mudar o que se é não faz sentido se focar em seus atos. Observe eles, analise eles, porém eles não são problemas em si mesmos.
-O problema em não fazer aquilo que estou destinado a fazer não é que estarei falhando em alguma tarefa, o problema é que estarei vivendo uma vida que não é minha.
-O dia em que você perceber que simplesmente não há para onde ir, você perceberá também onde é que você deveria estar.
-Se você sabe quem você é, então você sabe o que deve fazer, pois isso é o que você é.
-Porque as pessoas continuam achando que o mundo precisa ser salvo? Quando é que elas se darão conta de que são elas que precisam de problemas no mundo para que assim possam se tornar "salvadores"?
-No momento em que você perceber que não há necessidade em se evoluir, aí então você começará realmente a evoluir.
-Só aquele que se deu conta de que não há necessidade de se amar é que consegue verdadeiramente amar.
-Não procure lógica na vida. Sua lógica estará sempre limitada àquilo que você atualmente é. Se você quiser superar a si mesmo, a lógica não é o caminho.
-Você não terá medo de obsessores se não tiver medo de si mesmo.
-Normalmente os líderes tem uma necessidade de serem seguidos maior do que a dos seguidores de serem liderados.
-Você apenas se tornará "aquele que você é" no dia em que realmente morrer "aquele que você deveria ser".

domingo, 19 de setembro de 2010

Quando um buda começa a despertar


O problema é que agente cresce sendo ensinado a buscar a felicidade. Agente cresce sendo ensinado a buscar o paraíso. Todos nos ensinam que o sofrimento é ruim. Que o sofrimento é quase que um fracasso. Dizem que nós temos que nos esforçar para sermos felizes.
Todas essas ideias foram marteladas nas nossas cabeças tantas vezes ao longo das ultimas vidas que agente acabou acreditando nelas. E esse é o problema todo.
Felicidade e sofrimento não são diferentes. Assim como esperança e decepção. Onde um existe irá existir também o outro. Ter esperança de que a vida será feliz e alegre é a pior coisa que pode acontecer a alguém. Esperança não pode trazer nada de bom. Inclusive ela impede que você esteja realmente aberto para a vida. A questão importante é experimentar a vida. Estar aberto sem julgamentos para o que ela venha a trazer.
Quando você julga o seu sofrimento você se mistura com ele, e isso só aumenta o problema. Esqueça a ideia de felicidade, esqueça a ideia do paraíso. Quando o paraíso sumir da sua cabeça então você perceberá que o inferno também haverá desaparecido. Um não vive sem o outro. Mas se a vida trouxer o inferno para você, não fuja. Viva-o e não crie julgamentos de que ele não deveria estar lá. Apenas o observe. Deixe ele lá. Se os julgamentos não aparecerem então ele não irá te incomodar. O que te incomoda não é o sofrimento, são os julgamentos. São eles que não te deixam dormir. Quando você aceita o sofrimento então ele não incomoda.
Se você apenas observar o seu sofrimento, sem nenhuma interferência, então você verá que ele não tem como resistir ao seu olhar e irá desaparecer de tanta vergonha. Nesse momento o milagre acontece. Algo totalmente novo surge no lugar dele. Não é a felicidade que surge, é outra coisa. É o nada.
E lembre-se: ter experiências ruins não é ruim. O que é ruim é não ter experiências. Se as experiências que a gente tem são ruins ou boas isso não importa, essa não é a questão. Viva a vida. Se jogue ao vento. O que quer que aconteça será bom, te ajudará a amadurecer. Não importa o que seja.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Desabafos da meia-noite


Por que essa merda da ideia de destino ainda está viva dentro de mim? Enquanto o meu destino viver eu não viverei. Simplesmente não há espaço para os dois na vida. Enquanto eu tiver um futuro eu jamais terei um presente. O futuro só me traz medo. O destino me faz viver com covardia. A própria ideia de destino é fruto da covardia. Destinado à quê? Não há o que fazer. Não há esperança. Não há salvação. Não há Deus. A única coisa que existe é a vida!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Conversas com um espírito de luz


Ó insuportável ser, porque é que você insiste em aparecer para mim? Eu já não deixei bem claro que você não é bem vindo aqui? O quê? Você acha mesmo que um dia eu serei como você? Como? Você quer que eu te siga? Jamais maldito ser que habita os céus. Eu não iria tão baixo assim. Quer conhecer a verdade? Pois então eu te falarei.
Eu não sou mentiroso e entediante como os seus amigos santos. Inclusive eu prefiro a companhia das almas do umbral. Pelo menos eles não mentem em suas intenções. Eles não vestem uma roupa branca para esconder o negro do fundo de suas almas. Você quer que eu te siga? Pois então me escute.
A sua falta de confiança na sua própria verdade é que faz você precisar de seguidores. Convencendo a eles você se convence do que no fundo da sua alma você sabe que é mentira. Você vende um consolo fajuta simplesmente porque você tem o desejo de ser o consolador. Você não se importa com as pessoas, o que você quer é esse título, o consolador. Você engana a todos, você mente descaradamente, você os ajuda a permanecerem na cegueira. Você acha mesmo que os outros precisam de sua ajuda? Você é que precisa dos outros na miséria para poder se sentir necessário. No fundo tudo se resume a isso, você odeia a sua vida, você odeia o que você é, você odeia o tamanho da sua insignificância. Por isso você finge isso tudo que você faz. Você quer ter um significado para alguém, pois talvez assim você se esqueça do ninguém que você é.
Maldito diabo celeste! Porque você não vai embora? Você não vê que eu estou na borda de me tornar um buda? O que é isso? É inveja? Por ver que alguém que não faz da vida um sacrifício e uma tortura de si mesmo possa encontrar aquilo que vocês sempre pregaram mas nunca encontraram? Sim, estou falando do amor. O quê? Vejo medo agora em seus olhos. O que os seus cegos seguidores achariam disso? Uma pobre alma indefesa diante de um louco.
Sim, eu falo do amor. Mas falo não como outros profetas que eram tão cegos como você. Eles falavam de algo que nunca haviam experimentado. Eu falo do amor pois ele já brotou em mim. As vezes ele aparece. As vezes ele vem como uma suave brisa. Não, ele não é o contrário do ódio. É por isso que vocês malditos espíritos de luz jamais entenderão. Esse amor que vocês pregam é apenas o medo que vocês tem em serem odiados. O meu amor não é isso. Ele não é para ninguém, nem mesmo é meu. Não sou eu que possuo ele, é ele que me possui. Não é algo que se tem, é algo que se é.
Não, não adianta, você não entenderá. Isso é tão longe do que você jamais experimentou que você não tem a menor condição de entender o que falo. Mas não se preocupe. A minha mensagem não é para você. Ela não é para pessoas como você. No fundo ela não é para ninguém. Ela é simplesmente um grito de liberdade jogado ao ar para quem o quiser.
É um grito para me livrar de todo aquele lixo que eu acumulei em mim na época em que eu dava ouvidos a idiotas como você.
Mas agora chega! Saia daqui e não volte mais! Eu já cansei dessa baixaria que você carrega por onde quer que você passa. Não me venha mais com o seu deus. Eu já cansei de ser um seguidor, cansei de ter sido criado. Agora é hora de me tornar um criador. De criar a minha própria vida. Agora saia daqui.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O encontro


Senhores, hoje eu tenho algo muito especial para contá-los. Hoje eu tive um encontro com Deus.
Sim, vocês podem não estar acreditando, mas hoje finalmente ele resolveu aparecer para mim. Eu estava sozinho no meu quarto lendo A Gaia Ciência do meu amigo Nietzsche, quando de repente uma energia sem forma apareceu do nada na minha frente, e eis que ela me disse: "Olá, eu sou Deus."
E a conversa seguiu da seguinte maneira...

Eu - Eu não acredito. Eu te matei a alguns anos atrás, como é que você pode ainda estar vivo?
Deus - Existem muitas coisas que você ainda não entende. Eu não posso morrer. Se eu pudesse morrer pode estar certo que eu mesmo já teria me matado a muito tempo. Ou você acha que é agradável passar toda a eternidade aguentando a todos os tipos de seres humanos jogando a responsabilidade por tudo que ocorre em suas vidas em cima de mim?
Eu - Uai! Mas no fim das contas a culpa é toda sua. Afinal, foi você quem os criou desse jeito.
Deus- Tá bom eu já sei. Não precisa jogar isso na minha cara. Na verdade é exatamente por isso que eu estou aqui. Para que você mande uma mensagem a eles em meu nome. Para ajudá-los.
Eu - Não vem com essa não. Todo mundo que até hoje falou em seu nome só falou bobagem. Se você quiser mandar uma mensagem para os humanos procure algum cristão, ou melhor, vai num centro espírita que lá eles vão adorar encorporar Deus.
Deus - Desculpa, mas vai ter que ser você. Não tem outro jeito.
Eu - Como assim?
Deus - Acontece que os mensageiros que eu enviei não deram muito certo. Não posso culpá-los, pois a maioria falou exatamente o que eu disse para eles falarem. Acontece que a coisa deu errada, e por isso eu mudei de opinião.
Eu - Mas pode um Deus mudar de opinião?
Deus - Claro! Eu posso tudo. Você por um acaso se esqueceu que eu sou Deus?
Eu - Tudo bem! Mas o que que passa na sua cabeça agora?
Deus - Eu preciso libertar a humanidade.
Eu - Libertar a humanidade de que?
Deus - De mim.
Eu - Nisso eu concordo.
Deus - Não precisa vir com gracinhas para cima de mim.
Eu - Desculpa! É que eu nunca havia conversado com um Deus antes. Essa experiência é nova para mim.
Deus - Isso é irrelevante. Apenas se concentre no que você terá que dizer.
Eu - Espera um pouco. Mas você ainda não me explicou porque tem que ser eu?
Deus - Pois obviamente eu não posso enviar essa mensagem por alguém que acredita em mim. Um cristão certamente pensaria que eu sou o Diabo, e não Deus. Eu não consigo mais conversar direito com nenhum cristão hoje em dia.
Eu - Sim, mas existem muitos outros ateus espalhados por aí.
Deus - Os ateus são piores ainda. Quem você acha que é mais crente? um ateu na minha não existência ou um cristão na minha existência? Eu vou te explicar melhor tudo. Parece que você é meio lerdo para entender as coisas.
(Deus fez uma pausa, pensou um pouco, respirou fundo e depois continuou)
Deus - O crente acredita em mim basicamente por um motivo. Ele tem medo da vida. Ele tem tanto medo da vida, tanto medo de ser o responsável por suas decisões, que joga tudo pra cima de mim. Como gostam de falar "Que seja o que Deus quiser". Porque tem que ser de acordo com o que eu quiser? Será que eles não percebem que eu os criei para serem donos de si mesmos, para serem livres, e não para serem escravos da minha vontade? Não tem jeito, se acontece algo de bom em suas vidas logo vem dando graças a Deus, como se fosse eu que tivesse proporcionado aquilo a eles. Quando acontece uma desgraça logo pensam "Deus sabe o que faz", "Ele escreve certo por linhas tortas". Não tem jeito, na vida deles absolutamente tudo que acontece eles acham que é por minha causa. Assim não dá mais. Eles tem que parar de levar a vida que eu quero e começar a levar a vida que eles querem.
Eu - Sim. Mas e os ateus?
Deus - Ah sim. Já ia me esquecendo. O que acontece é que os ateus também são movidos pelo medo da vida. Tá certo que de uma forma um pouco diferente, mas no fundo é o mesmo medo. Eles tem medo de viver em um mundo onde exista um Deus. Eles me negam por medo de acreditar que eu existo, por medo de serem punidos, por medo do inferno.
Eu - Mas eu confesso que esse medo me parece muito mais razoável.
Deus - Não interessa! No fundo é tudo crença. É tudo fé. O ateu tem fé de que eu não existo. Por isso é que eu não posso passar a minha mensagem por nenhum deles. Simplesmente eles não acreditariam que eu sou realmente Deus. Eles não aceitariam que eu existo nem se me vissem.
Eu - Mas e porque eu?
Deus - Mas você é devagar mesmo, hein?
Eu - Vem cá! Você quer que eu leve a sua mensagem ou não? Então é melhor você também parar com gracinhas.
Deus - Enfim, tem que ser você por um simples motivo. Quando a minha existência começou a te incomodar imensamente, ao invés de simplesmente não mais acreditar em mim, você decidiu me matar.
Eu - Mas antes de mim já houveram outros assim, não?
Deus - Sim, já houveram. E eu tentei passar a mensagem por muitos deles. Em alguns casos eu até tive um pouco de sucesso. Minha ultima tentativa foi em um tal de Friedrich que escreveu uns livros de filosofia por aí. Aquele lá sim, entendeu muita coisa do que eu disse. Na verdade acho até mesmo que ele conhecia o ser humano melhor do que eu. O problema foi que ninguém percebeu que tinha o meu dedo naquilo que ele disse. Por isso ninguém percebeu que até mesmo eu concordava com o que ele dizia. Para dizer a verdade eu aprendi muita coisa com ele.
Eu - Mas pode um Deus aprender algo com os humanos?
Deus - Como eu já te disse, eu sou Deus, eu posso tudo. Não me venha dizer o que eu posso ou não posso fazer.
Eu - Mas então...
Deus - O fato é que eu já não aguento mais os seres humanos. Eu já cansei de ser pai. Eu quero que eles cresçam e parem de uma vez por todas de precisar de mim. Eu quero finalmente me aposentar. Quero enfim descançar. E você precisa me ajudar.
Eu - E o que eu ganho com isso?
Deus - Como assim o que você ganha com isso? Virou mais um capitalista agora?
Eu - Hahaha! Você tá certo. Foi mal aí!
Deus - Mas então. Eu não vou te dar nada em troca. Eu não sou um comerciante. Vim até você pois sei que você terá um enorme prazer em livrar as pessoas da minha presença.
Eu - Realmente você tem razão. Já passou da hora de você sumir de vez da vida dos seres humanos. E isso realmente me dará um enorme prazer.
Deus - Por isso que eu vim a você. Ambos sairemos mais tranquilos dessa jornada. Eu terei mais paz de espírito e você terá a sua vingança contra todo o sofrimento acumulado pela vida não vivida que você levava em nome da "minha vontade", em nome da maldita "vontade de Deus".
Eu - Muito justo.
Deus - E que finalmente seja feita a vossa vontade, e não mais a minha!
Eu - Que assim seja!
Deus -Amém!

Depois disso Deus desapareceu. E confesso que pela primeira vez em muito tempo eu até tive simpatia por ele. Percebi que não apenas a humanidade precisa se livrar dele, mas também ele precisa se livrar da humanidade. Realmente não deve ser fácil ser Deus.
Enfim, aqui fica o registro de uma das conversas mais interessantes que eu já tive em minha vida. Hoje eu me encontrei com Deus.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Alguns aforismos


1 - Não há muita diferença entre impor a alguém a moral do amor ou impor a alguém a moral do ódio, ambos são atos de tirania e opressão. O problema não reside no que está sendo imposto, mas sim no ato de se estar impondo algo.

2 - Não reconhecer a própria grandeza não é um ato de humildade, mas sim de covardia.

3 - Querer que os outros sejam humildes não é um ato de sensatez e nem de bondade, mas sim de covardia, é fruto do nosso medo de perceber que o outro de fato possa ser maior do que nós somos.

4 - Não há nada mais orgulhoso do que querer ser humilde. Só deseja para si a humildade quem deseja fazer disso mais um motivo para sentir-se orgulhoso.

5 - Será possível que alguém tenha fé em algo que não queira que seja verdade? Daí podemos ver de onde que nasce essa suposta virtude, que não passa de medo em encarar de frente a realidade da existência humana.

6 - Do ponto de vista da pessoa que tem fé, a sua fé será sempre raciocinada.

7 - A infelicidade que alguém experimenta não é proporcional ao tamanho da desgraça que acontece na sua vida, mas sim proporcional à diferença entre o que acontece e o que a pessoa idealizou que aconteceria.

8 - Só deseja a aprovação dos outros quem não aprova a si mesmo.

9 - Só tenta convencer os outros sobre alguma verdade quem tem dúvidas sobre a própria verdade. Convencer os outros é um remédio para tentar convencer a si mesmo. É por isso que as religiões estão sempre em busca de novos adeptos. O medo de que a sua crença não seja verdade é absurdamente grande.

10 - Enquanto você tiver um deus, você jamais se tornará um.

11 - Só prega o amor ao próximo quem tem medo de ser odiado.

12 - Quando elogiamos os outros, ou alguma coisa que não fomos nós os autores, no fundo o que estamos fazendo é elogiar a relação que temos com essa coisa, ou com essa pessoa. Os pais elogiam os filhos para crerem que foram bons pais. Elogiamos livros que lemos para dizermos que somos leitores de bons livros. Elogiamos nossos parceiros para acreditarmos que não fomos medíocres o bastante para perdermos grande parte de nossa liberdade em nome de um tolo qualquer. No fundo, todos os elogios que fazemos são sempre direcionados apenas a nós mesmos.

13 - Evolução não existe. As pessoas somente encontrarão o que sempre buscaram apenas no dia em que perceberem que elas não precisam melhorar. Quando largarem a ideia de que falta algo, de que são incompletas, de que são feias, aí sim perceberão que tudo sempre esteve aqui. A evolução nunca foi necessária. Muito pelo contrário, ela sempre foi uma barreira.

14 - Só deseja ir para o céu depois da morte aqueles que tem um enorme desprazer em viver. Quem desfruta a existência com dança, liberdade e alegria já encontrou o céu durante a vida. Esse não tem necessidade nenhuma de ir pra lugar algum depois da morte.

15 - O cristão é movido basicamente pelo medo do inferno. Tudo que ele faz, o faz pensando na salvação, no caminho para o céu, fugindo do inferno. Como pode a vida de uma pessoa dessas ser uma celebração de alegria e êxtase, sendo que o combustível que a move durante todo o tempo é apenas o medo? Uma vida baseada no medo jamais será uma dança, jamais será um canto, jamais será uma poesia.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Trecho de "Dialética Erística" de Arthur Schopenhauer


De fato, não existe nenhuma opinião, por absurda que seja, que os homens não se lancem a torná-la sua, tão logo se tenha chegado a convencê-los de que é universalmente aceita. O exemplo vale tanto para suas opiniões quanto para sua conduta. São ovelhas que vão atrás do carneiro-guia aonde quer que as leve. Para eles é mas fácil morrer do que pensar. (...)
O que se chama opinião geral reduz-se, para sermos preciso, à opinião de duas ou três pessoas; e ficaríamos convencidos disto se pudéssemos ver a maneira como nasce tal opinião universalmente válida. Então descobriríamos que, num primeiro momento, foram dois ou três que pela primeira vez as assumiram e apresentaram ou afirmaram e que os outros foram tão benevolentes com eles que acreditaram que as haviam examinado a fundo; prejulgando a competência destes, outros aceitaram igualmente essa opinião e nestes acreditaram por sua vez muitos outros a quem a preguiça mental impelia a crer de um golpe antes que tivessem o trabalho de examinar as coisas com rigor. Assim crescem dia após dia o número de tais seguidores preguiçosos e crédulos.
De fato, uma vez que a opinião tinha um bom número de vozes que a aceitavam, os que vieram depois supuseram que só podia ter tantos seguidores pelo peso concludente de seus argumentos. Os demais, para não passar por espíritos inquietos que se rebelam contra opiniões universalmente admitidas e por sabichões que quisessem ser mais espertos que o mundo inteiro, foram obrigados a admitir o que todo mundo já aceitava. Neste ponto, a concordância torna-se uma obrigação. E, de agora em diante, os poucos que forem capazes de julgar por si mesmos se calarão, e só poderão falar aqueles que, totalmente incapazes de ter uma opinião e juízo próprios, sejam o eco das opiniões alheias. E estes, ademais, são os mais apaixonados e intransigentes defensores dessas opiniões. Pois estes, na verdade, odeiam aquele que pensa de modo diferente, não tanto por terem opinião diversa daquela que ele afirma, quanto pela sua audácia de querer julgar por si mesmo, coisa que eles nunca poderão fazer, sendo por dentro conscientes disto.
Em suma, são muito poucos os que podem pensar, mas todos querem ter opiniões. E que outra coisa lhes resta senão tomá-las de outros em lugar de formá-las por conta própria? E, dado que isto é o que sucede, que pode valer a voz de centenas de milhões de pessoas?

segunda-feira, 5 de abril de 2010

O homem


É chegado o tempo de novos homens. A humanidade já não aguenta mais carregar o fardo do passado. A moral serviu para esmagar o homem, para fazê-lo sentir-se feio. Depois da invenção da moral os humanos passaram a se esconder, acumularam culpa atrás de culpa e nunca mais conseguiram ver o quão bonito sempre foram. Passaram a não ser livres, e por causa do sentimento de culpa e da não aceitação de si mesmos começaram a julgar os outros. Nesse ponto sua liberdade diminuiu ainda mais, pois quando julgamos estamos nos proibindo moralmente de cometer tais atos. Toda essa loucura criou um peso insuportável na alma das pessoas. As depressões e os suicídios mostram isso. Esse peso transformou a vida em um fardo. A vida que deveria ser uma celebração de si mesma, da beleza humana, da liberdade dos desejos, passou a ser um fardo. A existência, tão bela e amável, ao ganhar o nome de Deus passou a ser tirana e opressora. As pessoas não amam à Deus, elas o temem. Elas temem descobrir que no fundo sempre foram livres, que sempre foram belas, que não existe caminho a ser seguido, pois a vida e tudo que precisamos já estão aqui e agora. Não há a necessidade de se buscar nada no futuro. Quem coloca a felicidade no futuro jamais a terá no presente.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Trechos de A Gaia Ciência de Friedrich Nietzsche


Contra os caluniadores da natureza - Que seres desagradáveis estas pessoas em que toda tendência natural se torna rapidamente doença, algo deformante ou mesmo ignomínia! São elas que nos fazem acreditar que as inclinações naturais, os instintos do homem são maus; são elas a causa da nossa injustiça para com a nossa natureza, para com toda a natureza! Não faltam pessoas que teriam o direito de se abandonar às suas inclinações com graça, com despreocupação: mas não o fazem, com receio desta "má essência" imaginária da natureza! É em função disso que se encontra tão pouca nobreza em meio aos homens, pois a nobreza de uma alma se reconhecerá sempre no fato de não ter medo de si próprio, não esperar nada de vergonhoso e voar sem escrúpulos por toda a parte, tal pássaro nascido livre como é, onde o seu desejo o impele! Aonde quer que vá, será sempre rodeado pelo sol e pela liberdade.

Domínio sobre si - Esses professores da moral que recomendam ao homem acima de tudo que se autodomine, dão-lhe dessa forma, uma singular doença, ou seja, uma constante irritabilidade e uma comichão a todas às emoções e inclinações mais naturais. Seja o que for que lhe aconteça daqui para frente, seja de fora, seja de dentro, seja o que for que ele aí encontre ou que o atraia, ou que o incite, ou que empurre, parece sempre a este ser irritadiço que o seu domínio sobre si corre os maiores perigos: já não tem o direito de se fiar em nenhum instinto, de se abandonar a nenhum impulso livre, mantém-se na defensiva, sem repouso, eriçado de armas contra ele próprio, o olhar atento e desconfiado, mantendo eternamente diante da própria torre uma guarda que se impôs a ele mesmo. Por certo, ele pode ser grande nesse papel! Mas como se tornou insuportável aos outros, pesado para si mesmo, pobre, enfim, hermeticamente fechado aos mais belos acasos da alma! Como também, a qualquer outra lição futura! É preciso, pois, de vez em quando, saber perder-se, se quisermos aprender alguma coisa daquilo que nós próprios não somos.

Trecho de 'Richard Wagner em Bayreuth' de Friedrich Nietzsche


A paixão é melhor do que o estoicismo e a hipocrisia; ser sincero, mesmo no mal vale mais do que perder-se a si próprio na moralidade da tradição, o homem livre pode escolher ser bom ou mau, mas o homem não-livre é uma vergonha da natureza e não tem direito a nenhuma consolação celeste ou terrestre; enfim, todo aquele que deseja tornar-se livre só poderá fazê-lo pelos seus próprios meios, a liberdade nunca cai do céu a ninguém por milagre.

segunda-feira, 22 de março de 2010

O não-caminho


Não há o que fazer. Não há para onde ir. A existência já nos dá tudo aqui e agora. A própria busca por algo é fruto do nosso desconhecimento sobre a vida. O ser humano nasce iluminado, ele é iluminado. Ele não tem que buscar isso, ele tem apenas que perceber que não há o que buscar, pois ele já é. Quando se percebe essa verdade, então a partir do não-agir, sem absolutamente nenhum esforço, sem nenhuma vontade, o milagre acontece. Nesse ponto a pessoa pela primeira vez nasce de verdade. Nesse momento, no absoluto silêncio, a vida e o homem passam a ser um só. Não há mais barreiras, não há mais limites. Quando a busca some, quando a expectativa some, então tudo vira um. A pessoa deixa de ser e apenas a pura existência passa a ser. Não há mais o que fazer. Nunca houve o que fazer. O fazer e o querer fazer sempre foram obstáculos. A vida está aqui e agora. Esse exato instante, quando experimentado em profundo silêncio, contém todos os segredos de todo o universo. Tudo é um. Não há mais fronteiras. Há apenas uma doce celebração da vida.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Carta para a humanidade


Ó minha querida humanidade, meus queridos seres humanos, seres que na maioria dos vezes os odeio, seres que não me deixam em paz, que querem me transformar em uma cópia, em uma ovelha. Hoje eu vos falo do fundo do meu coração, apesar de tudo eu gosto de vocês. Apesar da insuportável mediocridade que se fantasia de prepotência, da covardia que acredita ser sensatez, do egoísmo injustamente condenado a repreensão, apesar disso tudo hoje eu amo vocês.

Há algo nos seres humanos que é divino. Algo que não tem nada a ver com esse Deus criado pela fantasia e pelo medo da vida que as pessoas tem, mas algo divinamente humano, ou humanamente divino, algo que os homens insistem em tampar os olhos para não ver. Algo que não transformaria os humanos em santos em hipótese nenhuma, é algo que só consegue ver a pessoa que olha para si mesma como é, como um humano cheio de defeitos, cheio de incertezas, cheio de desejos, um humano com ânsia de viver humanamente. Esse ser encontra esse algo, e é por causa dele que hoje eu escrevo à todos vocês.

Esses humanos não foram criados especiais, na verdade eles não tem nada de incomum, pois são apenas humanos, assim como vocês. A diferença é que ele consegue se ver, já vocês não sabem quem são. Quando vocês escolheram virar santos, quando quiseram tomar a estrada da perfeição, vocês se perderam, vocês nunca mais conseguiram se olhar em um espelho, vocês passaram a ter nojo do que há de mais nobre e bonito em vocês que é a humanidade intrínseca a sua existência. Vocês viraram ao avesso, são humanos ao contrário, são sofredores que vagam no mundo tendo que carregar o fardo que é a vida.

Mas vos direi a verdade, mesmo a vocês eu os amo, mesmo aos cegos da alma eu os amo, pois mesmo que vocês estejam com os olhos fechados sem querer enxergar nada além do seu Deus tirano, o universo clama pela suas existências. Quando vocês choram todo o cosmos chora com vocês, quando vocês se reprimem todo o universo se reprime com vocês, quando vocês escolhem não mais se conhecerem o universo passa também a não mais saber quem é. E é por isso que estou aqui hoje, para pedir que vocês abram os olhos e vejam quem vocês são, não se culpem por serem humanos pois é exatamente isso que os tornam divinos, não tenham medo de dançar porque quando vocês dançam o universo inteiro entra no ritmo de suas músicas, quando vocês riem a natureza toda dá gargalhadas ao mesmo instante. Não tenham medo do desconhecido, pois apenas o que é desconhecido é que serve para manter a beleza da vida. Sintam gosto pelo incerto, pois a certeza os tornam feios. Não acreditem em nada, experimentem tudo, experimentem a vida que está aí fora aguardando por vocês. Não combatam o ser humano lindo que há dentro de vocês louco para finalmente ser humano sem se sentir culpado por isso. Amem a vocês mesmos, exatamente do jeito que vocês são e subitamente vocês verão que todo o universo os ama do mesmo jeito, na verdade ele sempre os amou assim, vocês é que não queriam ver. O universo nunca os julgou, ele nunca apontou o dedo para a cara de vocês, ele nunca criou nenhuma moral, isso tudo foi obra dos cegos de espírito.

Mas os tempos em breve serão outros, finalmente não será mais época de Santos, talvez até mesmo Deus possa finalmente ser esquecido e sumir de vez da cabeça das pessoas, finalmente talvez o ser humano consiga olhar para si mesmo sem máscaras e ver a verdade que sempre esteve nele, a beleza que sempre esteve nele, a sua humanidade reprimida. Talvez o ser humano possa enfim se tornar o Deus de sua própria vida, o dono de sua própria moral e o criador de sua própria verdade.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Trecho de "O profeta" de Kahlil Gibran


Sobre as leis

Então um homem de leis disse, e as nossas Leis, Mestre?
E ele respondeu:
Deleitais-vos a fazer as leis, no entanto, mais vos deleitais em as desrespeitar.
Como crianças brincando junto ao oceano, a construir castelos de areia com persistência para logo os destruírem alegremente.
Mas enquanto construís os vossos castelos de areia o oceano traz mais areia para a costa, e, quando vós os destruís, o oceano ri-se convosco.
Na verdade o oceano ri-se sempre com os inocentes.
Mas que dizer daqueles para quem a vida não é um oceano, e as leis feitas pelo homem não são castelos de areia, mas para quem a vida é uma rocha, e a lei um cinzel que serve para a moldarem à sua semelhança?
Que dizer do aleijado que detesta dançarinos?
Que dizer do boi que gosta do jugo e condena o cisne e o gamo da floresta por serem seres errantes e vagabundos?
Que dizer da velha serpente que não consegue despir-se da sua pele e acusa os outros de estarem nus e não terem pudor?
E daquele que aparece cedo na festa do casamento, e que, depois de bem alimentado e já cansado, se vai embora dizendo que todas as comemorações são violação e os participantes violadores de leis?
Que poderei dizer desses a não ser que também eles estão expostos à luz, mas de costas viradas para o sol?
Só conseguem ver as suas sombras, e as suas sombras são as suas leis.
E que é o sol para eles senão um conjunto de sombras?
E o que significa reconhecer as leis senão curvar-se e traçar as suas sombras na terra?
Mas vós, que caminhais enfrentando o sol, que imagens da terra podereis reter?
Vós, que viajais com o vento, que catavento poderá orientar o vosso rumo?
Que lei do homem vos prenderá se quebrais o vosso jugo longe da porta da prisão?
Que leis receareis se dançardes mas tropeçardes em grilhetas inexistentes?
E quem vos poderá julgar se despedaçardes as vossas roupas sem todavia as deixardes no caminho de nenhum homem?
Povo de Orfalés, podereis abafar o tambor e alargar as cordas da lira, mas quem poderá impedir a cotovia de cantar?

terça-feira, 29 de setembro de 2009

As utopias, o anarquismo e a tragédia que é a existência humana


As crenças que nos são ofertadas, principalmente aquelas que são idealistas, ou porque não dizer utópicas, geralmente apresentam um aspecto em comum. Elas são muito mais baseadas nos nossos desejos a respeito do que queremos que seja real do que no que de fato é real. Elas normalmente nos dão respostas para questões existenciais da vida que por coincidência são exatamente as respostas que gostaríamos de ter. Para exemplificar podemos pensar por exemplo no cristianismo e no comunismo que a princípio são duas crenças bastante antagônicas, porém, se formos analisar mais a fundo, podemos ver que ambas vendem uma ilusão bastante parecida. A única diferença é que o que o cristianismo oferece no céu, o comunismo oferece na terra.
O reino de Deus é a resposta que o cristão deseja frente ao sofrimento que encontra na vida, pois como aqui ele é oprimido, infeliz, injustiçado e acima de tudo impotente em mudar o destino trágico que está fadada a ser a sua existência, o reino dos Céus passa a ser exatamente a compensação que ele tanto deseja por ter passado por tanta desgraça, é a vida em harmonia, em paz e com amor que ele sempre sonhou em ter e que sabe que jamais a terá aqui, é também a sua oportunidade de vingança contra aqueles que o oprimiram e o injustiçaram, pois muitos serão chamados e poucos os escolhidos, e certamente os escolhidos para a vida de amor eterno ao lado de Deus serão apenas os cristãos sofredores, e não os seus algozes a quem esses cristãos sempre desejaram a morte, porém sempre com tremenda impotência de realizá-la. O reino do Céus é a vingança do fraco e oprimido a tanto tempo por ele esperada, a tanto tempo por ele desejada.
Nesse sentido a sociedade vendida pelo comunismo é muito semelhante ao reino dos céus do cristão. O comunista tem a crença de que através dessa ideologia ele poderá construir aqui na terra uma sociedade onde as pessoas vivam em harmonia, em paz, sem opressão e o mais importante sem patrões. O comunismo é exatamente a resposta que o proletário sempre quis ter na vida, é o que ele sempre desejou, é a vingança final contra os burgueses exploradores e os malvados chefes, pois ao reino de Marx também muitos serão chamados e poucos os escolhidos, e obviamente apenas os proletários oprimidos serão os escolhidos, um burgues jamais entrará nesse reino.
Essas duas ideologias cresceram mundialmente e tiveram uma aceitação enorme em todos os lugares nos seus respectivos públicos alvos. Isso se deve principalmente a elas terem vendido exatamente o que as pessoas queriam ouvir, exatamente o que as pessoas sempre quiseram viver, é uma ilusão, porém uma ilusão que tocou profundamente nos desejos mais reprimidos de muita gente. Por ser uma ilusão é que os comunistas, e principalmente os cristãos que nisso são pródigos, muitas vezes negam completamente a realidade das coisas, negam a história e a razão, negam tudo que é possível negar em troca de poderem continuar acreditando na ilusão que é a sua vitória final, ou melhor dizendo, a sua vingança final. Por negarem a realidade trágica em favor de uma mentira boa é que ambos já cometeram tantos crimes ao longo de suas respectivas histórias. Nesse aspecto que diz respeito a semear a morte, o cristianismo ainda leva ampla vantagem, principalmente devido a ele existir a mais tempo, porém, os comunistas se não mudarem alguns conceitos fundamentais um dia também chegarão lá.
Ao ler esse texto você pode estar pensando agora que ao criticar o comunismo eu esteja fazendo um elogio ao capitalismo. Porém, você não poderia estar mais enganado. Eu não quis comparar o capitalismo com o comunismo ou com o cristianismo pelo fato de que eu não considero o capitalismo como uma utopia, pra mim ele é simplesmente uma estupidez, uma idiotice sem tamanho, pois através dele não dá nem para se imaginar a possibilidade de se ter uma sociedade harmônica, pacífica, e com bem estar social. O capitalismo é a destruição humana por excelência, ele se baseia na concorrência, coloca todos contra todos o tempo todo, obriga o que tem mais a precisar ter cada vez mais, ou seja, os obriga a explorar os outros cada vez mais. O capitalismo faz o pobre viver uma vida de medo permanente por causa da fome, e ao mesmo tempo obriga o rico a viver também uma vida de constante medo por causa do esfomeado. Um ganha quando o outro perde. O pobre tem desgosto da vida porque não tem esperança de algo melhor, o rico também tem desgosto da vida pois junto com o seu sucesso veio o incessante medo de perde-lo e também a necessidade de o ter cada vez mais, muitas vezes se enriquece sem nem mesmo saber o porque, simplesmente porque as coisas funcionam assim. A vida do pobre é materialmente uma desgraça, e a do rico humanamente um vazio. Basta olhar para a nossa sociedade que vemos que o número de casos de depressão e suicídio não param de subir. Por isso que não faz sentido comparar o capitalismo a essas outras crenças, simplesmente porque ele já nos seus fundamentos básicos não tem nada de bom a oferecer para ninguém.
Voltando agora as questões das utopias, das ilusões, você deve então estar se perguntando como é que pode um anarquista estar fazendo críticas à crenças utópicas. Realmente a sua preocupação tem fundamento, e faz muito sentido pensar assim, pois a maioria dos anarquistas de fato é extremamente idealista, muitos deles crêem infantilmente que se o Estado desaparecer então teremos uma sociedade organizada, sem crimes, onde as pessoas sejam felizes, onde elas se amem e se ajudem mutuamente. É uma ilusão muito parecida com a de Marx, e porque não dizer também com o reino de Deus? Este tipo de anarquismo eu também o coloco na mesma sacola das outras ilusões, é apenas um desejo reprimido de ser livre, pois até hoje em toda a história da civilização nunca houve liberdade plena de fato. Já houve liberdade para o mercado, porém nunca para os seres humanos.
Entretanto, o anarquismo pode ser entendido de outra forma, não necessariamente como a busca por uma sociedade perfeita, bem organizada e feliz, ele pode e eu o vejo como sendo a busca por uma sociedade também desordenada, trágica, cheia de problemas e sofrimentos, porém uma sociedade que simplesmente é melhor do que essa desgraçada que agente vive hoje. Não necessitamos alimentar esperanças ilusórias de que criaremos uma sociedade perfeita na terra, isso simplesmente não dá para ser feito agora, existir é uma tragédia e por enquanto não dá para fugir disso. As pessoas que tem a coragem de serem sinceras consigo mesmas percebem o que eu estou falando, que o sofrimento causado pela vida em sociedade, pela vida civilizada é por enquanto inevitável. Apenas os covardes que passam a vida inteira mentindo para si mesmos é que podem ter a falsa impressão de que a coisa não é assim, passam a vida inteira fingindo que são plenamente felizes, porém os pesadelos noturnos e o medo da solidão, ou seja o medo de estar a sós consigo mesmo os entrega e os mostra o tamanho de sua miséria.
Na anarquia haveria sofrimento, haveriam assassinatos, roubos, e todos os tipos de problema. Você deve então estar se perguntando por que diabos querer essa anarquia. É simples, pois o fato de viver ser uma tragédia não significa que não possamos rir da vida, que não possamos tentar algo que seja de fato melhor do que isso que temos hoje, e para mim a anarquia representa isso, essa ultima tentativa de algo melhor, de algo mais livre, pois ao longo de toda a história da humanidade o Estado e as leis sempre se mostraram incapazes de impedir os assassinatos, os roubos, as torturas, e inclusive muitas das vezes foi o próprio Estado que causou essas coisas, talvez até mesmo na maioria das vezes. A questão é que o Estado é a maior ilusão de todas, pois sempre foi visto como necessário para proteger os seres humanos de si mesmos, entretanto, ele claramente falhou em sua missão. Ele institucionalizou o assassinato, o roubo, a tortura. Portanto, querer a extinção do Estado, e se possível também das outras instituições de poder, ou seja, querer a anarquia, não quer dizer ter a esperança de viver em uma sociedade perfeita, simplesmente quer dizer uma nova tentativa de algo melhor, onde de alguma forma haja mais liberdade para ser si mesmo, e assim não precisar fingir ser outra pessoa. É uma tentativa de tornar a existência mais suportável, e porque não dizer também mais feliz? É apenas uma nova tentativa, na qual obviamente há a possibilidade do fracasso. Não há garantias de que de fato essa sociedade livre vá ser realmente melhor do que a que temos hoje, porém há motivos para crer que devamos ao menos tentar. Quem sabe a liberdade humana não seja capaz de resolver alguns problemas que Estado nenhum conseguiu até hoje resolver? Se a história futura nos mostrar que a anarquia foi uma fracasso, que não passou apenas de mais uma utopia e que não há nenhuma possibilidade da existência não ser uma tragédia total, então que reergamos os Estado, que sejamos outra vez comunistas, capitalistas, ou melhor ainda que voltemos a crer no reino de Deus. Porém, se a história nos mostrar o contrário, e algumas experiências como por exemplo a guerra civil espanhola de alguma forma nos faz acreditar nisso, então que sejamos anarquistas, que matemos de vez esse monstro que é o Estado, que sejamos livres para poder construir o ser humano do futuro, um ser humano que possa finalmente rir da tragédia que é a vida.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Trecho de genealogia da moral de Friedrich Nietzsche


Alguém quer descer o olhar sobre o segredo de como se fabricam ideais na terra? Quem tem a coragem para isso?... Muito bem! Aqui se abre a vista a essa negra oficina. Espere ainda um instante, senhor Curioso e Temerário: seu olho deve primeiro se acostumar a essa luz falsa e cambiante... Certo! Basta! Fale agora! Que sucede ali embaixo? Diga o que vê, homem da curiosidade perigosa - agora sou eu quem escuta.

- "Eu nada vejo, mas por isso ouço muito bem. É um cochichar e sussurrar cauteloso, sonso, manso, vindo de todos os cantos e quinas. Parece-me que mentem; uma suavidade visguenta escorre de cada som. A fraqueza é mentirosamente mudada em mérito, não há dúvida - é como você disse."

- Prossiga!

- "e a impotência que não acerta contas é mudada em 'bondade'; a baixeza medrosa, em 'humildade'; a submissão àqueles que se odeia em 'obediência' (há alguém que dizem impor esta submissão - chamam-no Deus). O que há de inofensivo no fraco, a própria covardia na qual é pródigo, seu aguardar-na-porta, seu inevitável ter-de-esperar, recebe aqui o bom nome de 'paciência', chama-se também a virtude; o não-poder-vingar-se chama-se não-querer-vingar-se, talvez mesmo perdão ('pois eles não sabem o que fazem - somente nós sabemos o que eles fazem!'). Falam também do 'amor aos inimigos' - e suam ao falar disso."

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O paraíso


Hoje eu sonhei com o paraíso. Acordei e li no jornal que o capitalismo havia morrido de vez, já não existiam burgueses, nem oligarquias. Já não havia Estado também, as pessoas haviam simplesmente percebido que ele nunca tinha sido de fato necessário. Saí as ruas e vi as casas que serviam à especulação sendo ocupadas por humanos. Vi as pessoas pintando os muros retratando suas loucuras interiores sem nenhum policial os perseguindo por atentado contra o patrimônio. Melhor do que isso, me dei conta de que já não haviam policiais. Ao invés de eucalipto estavam agora plantando comida de gente, e não de empresário. Vi que as igrejas estavam vazias, pois o ser humano agora tinha amor próprio, não precisava mais de um ser superior de amor infinito. Os jornalistas já não estavam engravatados, e na televisão quase não tinha notícia vinda dos Estados Unidos. A rede globo havia saído ar. Os professores viraram alunos, pois começaram a aprender o ensinar. As escolas deixaram de ser quadradas, pois parou-se de ensinar o escravizar das mentes. Inúmeras pessoas choravam incessantemente por sentir pela primeira vez sua liberdade a tanto tempo reprimida, outras o faziam simplesmente por finalmente poder chorar sem precisar de uma razão para isso. Coloquei a mão no bolso e vi que não havia mais dinheiro, mas já não fazia diferença, pois ter dinheiro havia perdido o sentido, ele era agora apenas um pedaço de papel e não mais a base da existência humana. Na cidade apareceram esculturas bizarras, as ruas agora estavam repletas de poesias sem aparente significado. Felizmente agora as coisas não mais precisavam ter um significado. Finalmente podíamos delirar em paz, podíamos ser loucos sem ter medo. Havia teatro de rua em todas as partes, no lugar dos shopping centers tínhamos agora feiras ao ar livre, a música estava em todo lugar. Finalmente eramos livres para não mais ter que amar ao próximo como a nós mesmos. Amávamos somente àqueles que queríamos, e mesmo assim, nunca como a nós mesmos.
Depois de um dia inesquecível na minha cidade do paraíso voltei pra casa para dormir e para louvar ao ser humano. Infelizmente, depois de dormir eu acordei.

sábado, 11 de julho de 2009

La anarkiisto kaj la demokrato



Demokrato: Saluton! Mi havas donacon por vi.
Anarkiisto: Kio ĝi estas?
Demokrato: Ĝi estas la plej bona afero el la mondo.
Anarkiisto: Sed, kio?
Demokrato: La demokratio.
Anarkiisto: Ĉu vere?
Demokrato: Jes, kaj ĝi estos bonega por vi. Bonvole akceptu ĝin.
Anarkiisto: Mi pripensos pri la afero.
Demokrato: Ne, vi devas nepre akcepti.
Anarkiisto: Kial? Mi ne komprenas.
Demokrato: Ĉar ĝi estas la plej bona afero el la mondo.
Anarkiisto: Povas esti, sed malgraŭ tio, mi mem devas elekti ĉu akcepti aŭ ne.
Demokrato: Kompreneble ne.
Anarkiisto: Kial ne?
Demokrato: Ĉar ĝi estis demokratie elektita.
Anarkiisto: Sed ne gravas. Eble mi ne ŝatus ĝin.
Demokrato: Se vi ne akceptas demokration, do vi estas diktatoro.
Anarkiisto: Kompreneble ne. Mi volas trudi nenion al iu. Mi nur volas regi mian propan vivon.
Demokrato: Diktatoro!
Anarkiisto: Ne! Vi estas la diktatoro. Vi volas trudi vian demokration al mi.
Demokrato: Ne, ne! Mi estas demokrato, kaj demokratio ne estas trudebla.
Anarkiisto: Do, mi ne volas ĝin.
Demokrato: Diktatoro! Vi estas minaco al la demokratio. Policistoj, malliberigu lin!
(Post kelkaj jardekoj, la anarkiisto mortis en la malliberejo. La demokratio finfine mortigis lin.)

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Irrepresentáveis


Meu amigos, não é nenhuma novidade que os políticos sejam, de maneira geral, corruptos e incapazes de resolver os nossos problemas. Isso é um fato praticamente inquestionável. Mas o que dizem os moralistas conservadores sobre isso? Eles sempre dizem que a culpa é do povo que não sabe escolher os seus repersentantes. Que se o povo fosse instruído, ele seria capaz de escolher políticos bons que cuidariam bem de nossos países e que assim não teríamos tantos problemas.
Senhores, não existe mentira maior do que essa, não acreditem nesses fanfarrões, primeiro porque quando eles falam isso, enchem o peito e o dizem se excluindo desse “povo que não sabe votar”, como se a culpa fosse dos outros que não votaram nos candidatos deles, como se os seus candidatos fossem mudar alguma coisa. Falam isso para não admitir para si mesmos que são tão incapazes e medíocres quanto a massa, querem se achar superiores, pobres coitados.
Mas a pior parte desse argumento é a idéia de que somos nós quem realmente escolhe nossos representantes. Isso é um absurdo tão grande que eu confesso que não entendo como as pessoas não conseguem perceber a estupidez desse pensamento. O ser humano é único, e apesar de apresentarmos semelhanças entre nós, somos todos direfentes. Pensamos diferentemente, nos vestimos de forma diferente, comemos coisas diferentes, sonhamos coisas diferentes, desejamos coisas difentes, acreditamos em coisas diferentes, e por aí vai. Só aqui no Brasil somos mais de 180 milhões de pessoas cada uma com suas particularidades e diferenças perante as outras. Dentro dessa diversidade toda se vem em época de eleições com uns 5 ou 6 candidatos, sendo que quase sempre apenas 2 ou 3 verdadeiramente participam da disputa, dizendo-se que devemos escolher o que vai nos representar. Nós somos obrigados a resumir toda a nossa diversidade em apenas uns 2 ou 3 modelos, que inclusive não fomos nós que escolhemos, mas que foram impostos em cima da gente como únicas opções. Eles já foram escolhidos, e tudo que podemos fazer é dizer: Quero esse ou aquele. Mas e se eu não quiser nenhum deles? E se eu não quiser essa forma de governo? E se eu simplesmente não quiser ser governado por ninguém? Eu tenho essa opção? Claro que não, a única escolha que eu posso fazer é entre os 2 ou 3 já escolhidos. Não posso fugir disso, não tenho esse direito. Eles me dão apenas essa mísera e ridícula capacidade de escolha e ainda querem que eu acredite que a culpa é minha por não escolher direito os meus representantes. Isso só pode ser uma piada de mau gosto.
Senhores, não sejamos mais idiotas, nós não podemos mais nos resumir simplesmente a alguns poucos modelos, nós somos muito mais do que isso. Chega de aceitar esses personagens sempre se impondo como nossas únicas opções, chega de acreditar que somos representáveis. Não, nós não o somos. Cada um tem desejos, idéias, vontades, crenças que não podem ser representadas por ninguém além de si mesmos. Sejamos livres para decidir o rumo de nossas vidas, sejamos livres para governar a nós mesmos, sejamos livres para criar nossa própria moral, sejamos simplesmente livres. A democracia representativa é uma ilusão que no fundo não passa de uma tirania disfarçada. Só não enxerga isso quem não quer.

terça-feira, 7 de abril de 2009

La voko



Al vi mi devas diri la veron
mi estas neniu imperiisto
mi ne plu eltenas la anglan
kaj tial mi iĝis esperantisto

Ĝi estas mia lingvo kara
la lingvo de la feliĉeco
ĝi apartenas al neniu lando
sed al la homa libereco

Homaro hodiaŭ mi vin vokas
ĉar ni devas ŝanĝi tiun aĉan mondon
tiu tasko ne estas facila
sed ni ankoraŭ havas la tutan estonton

segunda-feira, 9 de março de 2009

Nia lingvo / Nossa língua


Hodiaŭ mi volas rakonti personan sperton kion mi havis pri esperanto. Ĉi jare en januaro mi vojaĝis al mia najbara lando kiu nomiĝas Argentino kaj tie en kelkaj urboj mi gastis ĉe esperantistoj. Tio estis tre bona sperto por mi ĉar krom esperanto mi povis praktiki ankaŭ la hispanan kiu estas lingvo en kiu mi ankaŭ tre ŝatas paroli. Tie kiam mi kunsidis kun la esperantistoj kaj iliaj geamikoj, ni ofte babilis en esperanto, en la hispana kaj kelkfoje eĉ en la portugala. Mi tre ĝuis tian diversecon sed tie mi povis rimarki ion tre interesan favore al esperanto kiel internacia komunikilo.
Mi parolas la hispanan preskaŭ tiel bone ol kiel mi parolas esperanton, kaj uzante ĝin tie mi havis neniun gravan problemon por kompreni kaj esti komprenita. Tamen dum kiam mi parolis la hispanan kun la argentinanoj mi havis neeviteblan senton, mi ĉiam sentis min kiel eksterlandano. Tio ne okazis nur pro mia elparolo sed ankaŭ pro kulturaj kialoj ĉar por mi, kvankam mi tre ŝatas ĝin, la hispana ĉiam estos eksterlanda lingvo, kaj por la argentinanoj ĝi estas tute la malo. Tial nia babilado kompreneble ne okazis en egala nivelo.
La mirindaĵo okazis dum kiam ni babilis en esperanto, tiam tiu eksterlandana sento tute malaperis, tiam ne plu temis pri uzi mian aŭ ilian lingvon, sed temis pri uzi nian lingvon. Tiam ni ne plu estis homoj el malsimilaj landoj, ni estis samideanoj babilante en nia propra kaj komuna lingvo, ni estis egalaj. Tiam la vorto eksterlando subite malaperis el nia vortaro, kaj tiel mi povis feliĉe rimarki ke esperanto vere estas miraklo.

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Hoje eu quero contar uma experiência pessoal que eu tive com o esperanto. Esse ano, em janeiro eu viajei ao meu país vizinho que se chama Argentina e lá em algumas cidades eu fiquei hospedado com esperantistas. Essa foi uma experiência muito boa pra mim, pois além do esperanto eu pude praticar também o espanhol, que é uma língua na qual eu também gosto de falar. Lá quando eu me reunia com os esperantistas e seus amigos, nós geralmente conversávamos em esperanto, em espanhol e as vezes até mesmo em português. Eu adorei essa diversidade, mas lá eu pude perceber algo bem interesante em favor do esperanto como ferramenta de comunicação internacional.
Eu falo espanhol praticamente tão bem quanto eu falo esperanto, e usando-o lá eu não tive nenhum problema grave para compreender e ser compreendido. Porém quando eu falava espanhol com os argentinos eu tinha um sentimento que era inevitável, eu sempre me sentia como um estrangeiro. Isso não acontecia somente por causa da minha pronúncia, mas também por razões culturais, pois pra mim, apesar de eu gostar muito dele, o espanhol será sempre uma língua estrangeira, e para os argentinos ele é exatamente o contrário. Por causa disso as nossas conversas compreensívelmente não aconteciam em nível de igualdade.
O maravilhoso acontecia quando nós conversávamos em esperanto, nesses momentos esse sentimento de ser estrangeiro desaparecia completamente, nesses momentos não se tratava mais de falar a minha língua ou a língua deles, mas sim de falar a nossa língua. Nesses momentos nós não mais éramos pessoas de países diferentes, nós éramos coidealistas conversando em nossa própria e comum língua, nós éramos iguais. Nesses momentos a palavra estrangeiro subtamente sumia do nosso dicionário, e dessa forma eu pude felizmente perceber que o esperanto verdadeiramente é um milagre.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Mia dua esperanta poeziaĵo


Knabino el malproksime
...
En alia lando nun estas vi
tre fore de ĉio, tre fore de mi
mia korbato vin senĉese sopiras
kaj la pasio el mia animo al vi ĉiam iras
...
Via beleco estas neimitebla
via vizaĵo ne forgesebla
viaj okuloj min tuj pasiigis
kaj de via koro mi tuj enamiĝis
...
Ho mia karega knabino
kial estas vi tiel fore?
venu al mi forigi la doloron
kiu kuŝas profunde en mia koro
...
Knabino mi devas diri la veron
tiun distancon mi ne plu povas teni
ĉar sen vi ne estas feliĉec'
kaj sen vi malbona estus la estontec'
...
Pri vi mi ĉiutage pensas
vin mi deziras senlime
bonvole tuj venu al mi mia kara
knabino el malpoksime

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

A solução é destruir o planeta


Ultimamente tem-se conversado muito sobre a crise econômica mundial, e até por conta disso tem se dado pouca atenção à crise ambiental pela qual passamos agora. Como todos sabemos o meio ambiente está pedindo socorro já a algumas décadas, isso não é novidade nenhuma, e por mais que não queiramos aceitar essa realidade, inevitavelmente a destruição do meio ambiente significaria também a nossa destruição, portanto esse é um problema muito grave, que exige bastante cuidado.
Um olhar um pouco mais atento a essa questão nos mostra facilmente que uma das principais causas da destruição da natureza é o consumismo exagerado dos seres humanos, não apenas pela extração de matérias primas da natureza em si, mas por toda cadeia de problemas que inevitavelmente isso gera. Para se produzir alguma coisa se gasta energia, e quanto mais se quer produzir mais energia tem-se que gastar, e quase todas as formas de produção de energia que temos geram poluição, seja por emissão direta de poluentes ou seja por impactos ambientais devido a construção das usinas, e não há energia de sobra no planeta para que se possa aumentar a produção sem que novas fontes geradoras sejam construídas, a maioria dos países passa hoje também por uma crise energética, basta olhar por exemplo o caso do EUA que saí pelo mundo desesperadamente buscando fontes de energia em todo lugar, como o petróleo do Iraque e da Venezuela, e o etanol aqui do Brasil, para poder sustentar o consumismo irracional da sua população. Além da questão energética há também a questão das matérias primas utilizadas na fabricação dos bens de consumo, que muitas das vezes são bens não renováveis e que muitas vezes a sua extração causa danos irreparáveis ao meio ambiente, basta ver por exemplo a produção de celulose que necessita de grandes extensões de terras plantadas com eucalipto, que a longo prazo (as vezes não tão longo) acaba com a biodiversidade do local, tornando o solo muitas vezes infértil depois de algumas décadas. Outro problema causado pelo consumo excessivo é a produção de lixo. Na compra de coisas novas, as velhas acabam na maioria das vezes sendo descartadas, e mesmo que parte delas seja reaproveita ou reciclada, muita coisa acaba indo para o lixo, e o tratamento do lixo é algo muitas vezes difícil de se fazer e na maioria dos lugares é até inexistente. Não só o lixo tóxico proveniente de equipamentos eletrônicos e materiais químicos, mas todo tipo de lixo, até mesmo orgânico trás problemas para a natureza quando simplesmente despejado em algum lugar ou queimado em algum incinerador.
Eu poderia me estender um pouco mais aqui mostrando como o consumismo é ruim para o meio ambiente mas acho que isso não é tão necessário agora, até por ser algo um tanto quanto óbvio. Mas a conclusão a que eu quero chegar aqui não é essa, o que eu quero é mostrar a relação entre a crise econômica e a destruição da natureza. Nessa época de crise vemos os economistas, os empresários e os chefes de estado, dizendo que para minimizar os efeitos da crise é necessário evitar que a população deixe de comprar, ou seja, de consumir, pois a queda no consumo acaba gerando desemprego, que diminui o poder de compra da população, diminuindo o consumo e gerando mais desemprego, é uma bola de neve que tem que ser contida, e a solução para isso é tentar de alguma forma fazer com que a população tenha condição de continuar consumindo, ou pelo menos de não diminuir muito o seu consumo. Senhores, não precisa ser nenhum gênio para concluir daí que há uma contradição enorme entre minimizar a crise e preservar o meio ambiente. O capitalismo mais uma vez está em crise, o que não é nenhuma novidade, pois capitalismo e crise são como dois amantes que ficam juntos por uns anos, depois terminam mas após algum tempo acabam sempre voltando um para os braços do outro, o engraçado e assustador disso tudo é ver que a solução óbvia para se amenizar a crise é diretamente oposta a preservação do meio ambiente, ou seja, a salvação do capitalismo significa, nada mais nada menos, do que a destruição do planeta.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

A violência das leis (Liev Tolstói)




Muitas constituições foram criadas de modo a fazer com que as pessoas acreditassem que todas as leis estabelecidas atendiam a desejos expressos pelo povo. Mas a verdade é que não só nos países autocráticos, como naqueles “supostamente” mais livres as leis não foram feitas para atender a vontade da maioria, mas sim a VONTADE DAQUELES QUE DETÊM O PODER. Portanto elas serão sempre, e em toda a parte, aqueles que MAIS VANTAGENS POSSAM TRAZER À CLASSE DOMINANTE E AOS PODEROSOS. Em toda a parte e sempre, as leis são impostas utilizando os únicos meios capazes de fazer com que algumas pessoas se submetam à vontade de outras, isto é, pancadas, perda da liberdade e assassinato. Não há outro meio.
Nem poderia ser de outro modo, já que as leis são uma forma de exigir que determinadas regras sejam cumpridas e de obrigar determinadas pessoas a cumpri-las (ou seja, fazer o que outras pessoas querem que elas façam) E ISSO SÓ PODE SER OBTIDO COM PANCADAS, PERDA DA LIBERDADE E COM A MORTE. Se as leis existem, é necessário que haja uma força capaz de obrigar as pessoas a respeitá-las. E só há uma força capaz de fazer com que alguns seres se submetam à vontade de outros e esta força é a violência. Não a violência simples, que alguns homens usam contra seus semelhantes em momento de paixão, mas uma VIOLÊNCIA ORGANIZADA, usada por aqueles que têm o poder nas mãos para fazer com que os outros obedeçam à sua vontade.
Assim, a essência da legislação não está no sujeito, no objeto, no direito, na idéia do domínio da vontade coletiva do povo ou em qualquer outra condição tão confusa e indefinida, mas sim no fato de que AQUELES QUE CONTROLAM A VIOLÊNCIA ORGANIZADA DISPÕEM DE PODERES PARA FORÇAR OS OUTROS A OBEDECÊ-LOS, fazendo aquilo que eles querem que seja feito.
Assim, uma definição exata e irrefutável para legislação, que pode ser entendida por todos, é esta:
“AS LEIS SÃO REGRAS FEITAS POR PESSOAS QUE GOVERNAM POR MEIO DA VIOLÊNCIA ORGANIZADA, QUE, QUANDO NÃO ACATADAS, PODEM FAZER COM QUE AQUELES QUE SE RECUSAM A OBEDECÊ-LAS SOFRAM PANCADAS, A PERDA DA LIBERDADE E ATÉ MESMO A MORTE.”

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O novo imperador


Eu confesso que já fui por muito tempo uma pessoa bastante otimista, alguém que vivia acreditando que o mundo estava para se tornar um lugar melhor e que coisas boas estavam para acontecer, porém hoje, depois de ler, aprender e viver algumas coisas eu percebo que na maioria das vezes o otimismo que eu tinha era fruto apenas da minha ignorância e da minha incapacidade de compreender direito as coisas.
Hoje o Barak Obama foi eleito presidente dos EUA e por isso pessoas do mundo inteiro estão comemorando por acreditar que isso vai significar uma mudança efetiva nas políticas desse país, vejo muitos esperançosos de que os terríveis anos de Bush se tornarão em breve coisa do passado e de que o mundo esta agora entrando em uma época melhor. Senhores! Eu mais do que todos vocês gostaria de acreditar que os EUA parariam de invadir outros países, que eles parariam de se auto-intilular como donos do mundo, que eles parariam de olhar para a América latina como se ela fosse o quintal da casa deles, que eles acabariam com o embargo econômico, comercial e financeiro a Cuba que já dura 46 anos, que os imigrantes nesse país passariam a ser vistos com solidariedade e que a dívida dos países pobres seria toda perdoada. Gostaria muito de acreditar que os próximos anos marcariam o fim desse imperialismo americano sangue-suga, arrogante e prepotente no mundo.
Meus caros amigos, eu sonho com essas coisas todos os dias, gostaria muito de poder acreditar que tudo isso está para acontecer, mas infelizmente o meu bom senso não me permite. Eu sei que existem diferenças entre Mcain e Obama, mas todas elas são apenas maquiagens dentro de uma mesma visão política Imperialista baseada sempre no lucro, com os EUA sendo eternamente os donos do mundo. Sei que dentro desse mesmo contexto o Mcain, o Bush e sua cambada são bem mais conservadores, com idéias que muitas vezes beiram o próprio fascismo, mas mesmo assim não se enganem, o fundo ideológico e político do Obama é o mesmo dos outros, é o amor desenfreado ao capitalismo, ao nacionalismo, ao militarismo e a soberba americana, só muda a forma, mas o conteúdo é o mesmo.
De fato, não creio que haverá mudança significativa nenhuma e é uma pena que toda essa onda de otimismo mundial esteja baseada apenas em uma mera ilusão. Do fundo do meu coração eu gostaria muito de poder compartilhar desse sentimento que tomou conta de muitas pessoas hoje, mas infelizmente não dá, já cansei de me enganar.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Eleição e alienação


Estamos muito perto de uma eleição aqui no Brasil e gostaria de fazer algumas considerações sobre o tema. É muito comum ouvir nessas épocas que um dos problemas aqui no Brasil é que a população é muito alienada e que por isso acaba quase sempre escolhendo os políticos errados, e que daí surgem nossos inúmeros problemas. Mas porquê será que a população é alienada? Claro que não existe uma única razão para isso, é bem verdade que um pouco disso passa pelo problema de educação e coisa e tal, mas não quero entrar nesse detalhe, o que quero mostrar aqui é que nós todos somos alienados principalmente porque o sistema de governo, o sistema de poder que existe é totalmente alienante. Vou explicar melhor: Aqui no Brasil existem eleições a cada 2 anos, ou seja, a cada 730 dias, isso significa que participação direta da população nas decisões que dizem respeito a como governar a sociedade se limita a apenas uma vez a cada 730 dias dizer quero que esse ou que aquele nos governe nos próximos anos. Durante todos os outros 729 dias a única coisa que cabe ao cidadão comum é ser governardo e obedecer às decisões tomadas pelos seus eleitos, que efetivamente são os únicos que governam. Por isso que todos nós somos alienados, nós somos completamente excluídos das decisões tomadas, são sempre eles que decidem por nós, eles nos enganam com essa mentira descarada que é a “democracia representativa”, essa ilusão absurda de que o povo pode efetivamente ser representado por uma dúzia de políticos, essa representatividade é apenas mais uma forma de dominação, uma maneira de manter a população governarda e enganada, a fazendo pensar que é ela que está no poder. Efetivamente não importa se o governo é de direita ou de esquerda, ele sempre será governo e a população governada, democracia só pode de verdade existir se for participativa, direta, exercida pelas próprias mãos do povo.
O engraçado disso tudo é saber que essa coisa toda acontece com o nosso consentimento, pois no dia da eleição quando damos o nosso voto a algum candidato, seja ele quem seja, estamos dizendo sim a isso tudo, estamos mostrando aos nossos governantes que queremos continuar sendo governados. Esse “direito de cidadão”, esse “voto consciente”, continuará mantendo todos nós nessa maldita alienação. Não aceite essa submissão. Vote nulo!

Para terminar, aqui vai uma citação do Bakunin:

"Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar esta questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Essa minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e pôr-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana".

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Salvem os bancos! / Savu la bankojn!


Há alguns dias o senhor Bush revelou sua vontade de injetar 700 bilhões de dólares na economia americana (mais precisamente nos bancos) para salva-lá da crise em que essa se encontra no momento. Não sei se essa medida realmente será efetivada e tampouco quero entrar no mérito se ela resolverá o problema ou não, o que quero dizer aqui é outra coisa.
O mundo tem muitos problemas há muito tempo, as pessoas tem muitos problemas há muito tempo, e uma coisa que eu acho engraçada é que eu nunca escutei nada sobre um pacote de 700 bilhões para ajudar a pobreza no mundo, para amenizar a fome dos esfomeados, para construir casa para os sem-tetos, ou então para curar os doentes que não tem acesso a médicos e medicamentos. Agora, quando os bancos ficam doentes e falidos, Ah! Isso não! Há de se fazer algo. Tomem 700 bilhões!
Enfim, mais uma vez fica claro que o que realmente importa nessa sociedade capitalista é o dinheiro e quem o tem, já o ser humano, Ah! Esses não fazem a menor diferença. Que morram de fome!

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Antaŭ kelkaj tagoj sinjoro Bush rivelis lian volon pri meti 700 bilionojn de dolaroj en la usuna ekonomiko (pli precize en la bankoj) por savi ĝin kontraŭ la krizo en kie ĝi troviĝas nun. Mi ne scias se tiu ago vere efektiviĝos kaj mi ankaŭ ne volas diskuti se ĝi solvos la problemon aŭ ne, kion mi volas diri ĉi tie estas alia afero.
La mondo havas multajn problemojn de antaŭ longe, la homoj havas multajn problemojn de antaŭ longe, kaj mi pensas ke estas tre remarkinda ke mi neniam aŭdis ion ajn pri donaĵo de 700 bilionoj por helpi la malriĉeco je la mondo, por helpi la malsatantojn kontraŭ la malsato, por konstrui hejmojn al la sen-hejmantoj aŭ por kuraci la malsanulojn kiuj ne havas kuracistojn kaj medicinojn. Tamen, kiam bankoj malsaniĝas kaj bankrotiĝas, Nu! Tio ne! Oni devas fari ion. Prenu 700 bilionoj!
Finfine, alifoje oni povas vidi ke la vera gravaĵo en tiu kapitalisma societo estas la mono kaj kiuj ĝin posedas, aliflanke, la homoj, Nu! Tiuj estas tute malgravaj. Ke ili mortu pro malsato!

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Mia unua esperanta poeziaĵo


Poezio pri verda revo

Nia flago estas verda
kaj la amo nia gvidant’
nia direkto estas la paco
kaj nia ilo, esperant’

Pri senlima mondo ni revas ĉiutage
kaj ni klopodas por mirinda estontec’
Se esperanto eterniĝus tutmonde
ĉies estus la feliĉec’

Karaj geamikoj miaj
ne sidiĝu laceme sur iu benk’
ĉar kune ni devas marŝi
rekte al la fina venk’